"Tenta te orientar pelo calendário das flores, esquece por um momento os números, a semana, o dia do teu nascimento. Se conseguires ser leve, aproveite, enche tuas malas de sonho e toma carona no vento."

Fernando Campanella

domingo, março 22

EQUINÓCIO DE OUTONO






















(Gravura surrupiada da Meditação Global do Equinócio 2009, que recebi da amiga Carla Lampert)

EQUINÓCIO DE OUTONO

Nesta sexta-feira, 20 de março, às 08:32hs de Brasília, aconteceu mais um Equinócio de Outono e o ingresso do Sol no signo de Áries, iniciando assim o próximo Ano Astrológico, que é orientado pelo movimento das estações e o ciclo zodiacal.

Como acontece no Equinócio da Primavera, é a altura do ano em que o dia e a noite são iguais.
Aproveitar esse grande momento de renovação na Mãe Terra para um trabalho de aprofundamento da nossa consciência e tb para reverter todo esse processo de destruição que estamos causando a nossa querida Gaia!!

Boas energias!!
Val

sábado, março 14

















"A verdadeira origem da descoberta consiste não em procurar novas paisagens,
mas em ter novos olhos."

(Marcel Proust)


Que nossos olhos sejam sempre sensíveis à beleza que nos rodeia.

Um bom final de semana

Carinhosamente, Val


Ps. Apesar da semana ter sido marcada de muitos acontecimentos, estes sempre foram recheados de amor, alegria e tb muita compreensão, até para poder superar todos os obstáculos que por ventura foram surgindo...

domingo, janeiro 18

Acordo ortográfico em doses homeopáticas























Acordo ortográfico em doses homeopáticas
Temos ate 2012 para errar sem culpa, muitas editoras já estão se preparando e lançando de guias, manuais e dicionários com as novas regrinhas.
No próximo mês de fevereiro, a Academia Brasileira de Letras irá publicar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. A publicação deve resolver algumas pendências, como uso do hífen em certas palavras compostas. Mais de um dicionário será publicado entre os meses de março e abril. O moderno dicionário da língua portuguesa, da Michaelis, já pode ser encontrado nas livrarias. O preço ficará entre R$150,00 até 250,00.

Dos guias que já estão no mercado, vale destacar a Boa Ideia! (com o acento agudo esparramado no chão), de Jônatas Junqueira de Mello (Editora Saraiva) e o Guia de Acordo Ortográfico, de autoria de uma equipe de especialistas (Editora Moderna).

O livro Boa Ideia! Pode ser encontrado por preços que variam de R$15,00 a R$20,00. Já o guia de acordo Ortográfico pode ser baixado gratuitamente no site(www.moderna.com.br)

O Jeito é ir assimilando em doses homeopáticas todas essas regras.

Até 2012 conseguiremos...

Acordo Ortográfico de 1990





















Acordo Ortográfico de 1990
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre
.


O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 é um tratado internacional que tem por objectivo criar uma ortografia unificada para o português, a ser usada por todos os países de língua oficial portuguesa. Foi assinado por representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe em Lisboa, em 16 de Dezembro de 1990, ao fim de uma negociação entre a Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras iniciada em 1980. Depois de obter a sua independência, Timor-Leste aderiu ao Acordo em 2004. O acordo teve ainda a presença de uma delegação de observadores da Galiza.

O Acordo Ortográfico de 1990 pretende instituir uma ortografia oficial única da língua portuguesa e com isso aumentar o seu prestígio internacional, dando fim à existência de duas normas ortográficas oficiais divergentes: uma no Brasil e outra nos restantes países de língua portuguesa. É dado como exemplo motivador pelos proponentes do Acordo o castelhano que apresenta bastante variação, quer na pronúncia quer no vocabulário entre a Espanha e a América hispânica, mas sujeito a uma só forma de escrita, regulada pela Associação de Academias da Língua Espanhola. Por outro lado, observa-se que a língua inglesa apresenta variações ortográficas entre os países que a falam e nunca foi objecto de regulação oficial, porém as diferenças gráficas são muito menores e menos frequentes do que as da língua portuguesa.

A adopção da nova ortografia, de acordo com os dados da Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (que se baseiam exclusivamente numa lista de 110 000 palavras da Academia das Ciências de Lisboa, irá acarretar alterações na grafia de cerca de 1,6% do total de palavras na norma euro-afro-asiático-oceânica (em Portugal, PALOP, Timor-Leste e Região Administrativa Especial de Macau) e de cerca de 0,5% na brasileira.

O teor substantivo e o valor jurídico do tratado não alcançaram consenso entre linguistas, filólogos, académicos, jornalistas, escritores, tradutores e personalidades dos sectores artístico, universitário, político e empresarial das sociedades portuguesa e brasileira, de modo que sua aplicação tem suscitado discordância por motivos linguísticos (v.g. introdução de facultatividades, supressão de letras consonânticas mudas, hifenização, maiusculização e remoção do acento diferencia, políticos, econômicos e jurídicos, havendo quem afirme mesmo a inconstitucionalidade do tratado. Outros ainda afirmam que o Acordo ortográfico serve, acima de tudo, interesses geopolíticos e económicos do Brasil.

domingo, janeiro 11

Feliz 2009!!

QUE EM 2009 ABRAM-SE PORTAIS DE AMOR, SABEDORIA, CURA, ABUNDÂNCIA, PROSPERIDADE...DIAS DE BEM AVENTURANÇA...LIBERDADE, PAZ, SAÚDE, ENERGIA, CORES, AROMAS, AMORES!!!
BABANAN KEWALAN SÓ PRA VARIAR!!!
BEIJOS!!!
V@L

terça-feira, dezembro 23

Consumo consciente














Campanha para incentivar uso de sacola retornável
Prática de dispensar embalagens de plástico em supermercados ainda é exceção entre consumidores



Elas ainda são minoria. Chegam ao supermercado ou à feira carregando suas sacolas, geralmente de lona ou fibra, e dispensam sacos plásticos para levar as compras para casa. Uma atitude ecologicamente correta, comum em países como França e Alemanha, já que uma sacola plástica demora até 450 anos para se desintegrar.

A bióloga Carla Conde é pioneira. Começou a usar a própria bolsa de compras há 16 anos, ainda no rastro da onda verde que invadiu o Rio com a ECO-92. Naquela época, usava às vezes a sacola de pano. Mas há oito anos radicalizou. Sacolas de plástico nem pensar. No início, os outros clientes no supermercado estranhavam. Aos poucos, mudaram. "Hoje em dia já acham normal. Usar sua própria sacola virou fashion", diz Carla.


A campanha ensinará atitudes simples. "No lugar de levar quatro sacolas de plástico em cada compra, podemos levar nossas bolsas retornáveis ao supermercado e usar apenas uma plástica. O importante é reduzir o consumo", diz.

O ministério não cogita propor soluções drásticas como a que o governo da China tomou. Com o aquecimento da economia, os chineses aumentaram muito o consumo, inclusive das embalagens plásticas. Em um único dia, os chineses gastavam 3 bilhões de sacolas. O impacto no ambiente foi tão forte que, em junho de 2007, o governo proibiu o uso delas em supermercados. Vetou também sacos para embalar frutas e verduras. A medida fez com que os chineses voltassem a usar bolsas de pano e cestas de vime.


Márcia Vieira

sábado, dezembro 6

Educação Ambiental




















Feliz de estar por aqui...
Após um semestre exaustivo, porém produtivo, estou aqui para postar sobre um assunto de grande relevância no atual momento.
Precisei desenvolver uma temática investigativa para compor meu relatório de estágio I para o curso de Pedagogia que venho realizando na Ulbra. Adivinhe, qual o tema que escolhi, é claro que foi sobre Educação Ambiental, direcionado para o contexto escolar, ainda fiz um link com a Educação Cósmica de Maria Montessori.
Dentro desse enfoque, fiz várias reflexões sobre as práticas ambientais dentro do entorno escolar, necessário lembrar que elas devem estar inseridas em diversos momentos da rotina escolar e não estanques, pontuais, ou somente em datas comemorativas como em algumas escolas vem acontecendo.
Sabemos da resistência e da grande dificuldade que alguns educadores apresentam, quanto à inserção da Educação Ambiental em suas práticas educacionais.
Talvez isso se dê pela falta de referencia, alguns diretores também não denotam interesse no assunto, falta de informação,...muitos acreditam que precisa ser um biólogo, agrônomo, engenheiro florestal ou ambiental para falar em Educação Ambiental, nada disso, até porque a Educação Ambiental vai muito além de cuidar da plantas, árvores, da poluição, do lixo, etc. a Educação Ambiental envolve, também, o trabalho e o estudo sobre as diferentes formas de convívio social, as culturas diferentes, enfim toda a diversidade existente no planeta. De nada adianta trabalhar o respeito ao ambiente se não há o respeito, o amor pelas pessoas entre si. Lembrar sempre da interdepência entre tudo e todos.
Frente a isso, é interessante despertar o interesse das crianças desde a mais tenra idade sobre o assunto, em cima dessa curiosidade infantil é que vamos buscar uma aprendizagem real e significativa, desenvolvendo assim a nossa ecologia pessoal, social e tendo como produto final a ecologia planetária.

Bj, sustentáveis
Val

domingo, novembro 2

Gaiolas e asas...







Os pensamentos me chegam de forma inesperada, sob a forma de aforismos. Fico feliz porque sei que Lichtenberg, William Blake e Nietzsche frequentemente eram também atacados por eles. Digo “atacados“ porque eles surgem repentinamente, sem preparo, com a força de um raio. Aforismos são visões: fazem ver, sem explicar. Pois ontem, de repente, esse aforismo me atacou: “Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas“
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.
Esse simples aforismo nasceu de um sofrimento: sofri conversando com professoras de segundo grau, em escolas de periferia. O que elas contam são relatos de horror e medo. Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças... E elas, timidamente, pedindo silêncio, tentando fazer as coisas que a burocracia determina que seja feito, dar o programa, fazer avaliações... Ouvindo os seus relatos vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à mostra - e a domadoras com seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres... Sentir alegria ao sair da casa para ir para escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O seu sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que as fecha junto com os tigres.
Nos tempos da minha infância eu tinha um prazer cruel: pegar passarinhos. Fazia minhas próprias arapucas, punha fubá dentro e ficava escondido, esperando... O pobre passarinho vinha, atraído pelo fubá. Ia comendo, entrava na arapuca, pisava no poleiro – e era uma vez um passarinho voante. Cuidadosamente eu enfiava a mão na arapuca, pegava o passarinho e o colocava dentro de uma gaiola. O pássaro se lançava furiosamente contra os arames, batia as asas, crispava as garras, enfiava o bico entre nos vãos, na inútil tentativa de ganhar de novo o espaço, ficava ensanguetado... Sempre me lembro com tristeza da minha crueldade infantil.
Violento, o pássaro que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende? Violentos, os adolescentes de periferia? Ou serão as escolas que são violentas? As escolas serão gaiolas?
Falarão-me sobre a necessidade das escolas dizendo que os adolescentes de periferia precisam ser educados para melhorarem de vida. De acordo. É preciso que os adolescentes, é preciso que todos tenham uma boa educação. Uma boa educação abre os caminhos de uma vida melhor.
Mas, eu pergunto: Nossas escolas estão dando uma boa educação? O que é uma boa educação?
O que os burocratas pressupõe sem pensar é que os alunos ganham uma boa educação se aprendem os conteúdos dos programas oficiais. E para se testar a qualidade da educação se criam mecanismos, provas, avaliações, acrescidos dos novos exames elaborados pelo Ministério da Educação.
Mas será mesmo? Será que a aprendizagem dos programas oficiais se identifica com o ideal de uma boa educação? Você sabe o que é “dígrafo“? E os usos da partícula “se“? E o nome das enzimas que entram na digestão? E o sujeito da frase “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante“? Qual a utilidade da palavra “mesóclise“? Pobres professoras, também engaioladas... São obrigadas a ensinar o que os programas mandam, sabendo que é inútil. Isso é hábito velho das escolas. Bruno Bettelheim relata sua experiência com as escolas: “fui forçado (!) a estudar o que os professores haviam decidido que eu deveria aprender – e aprender à sua maneira...“
O sujeito da educação é o corpo porque é nele que está a vida. É o corpo que quer aprender para poder viver. É ele que dá as ordens. A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. Nietzsche dizia que ela, a inteligência, era “ferramenta“ e “brinquedo“ do corpo. Nisso se resume o programa educacional do corpo: aprender “ferramentas“, aprender “brinquedos“. “Ferramentas“ são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia a dia. “Brinquedos“ são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma. No momento em que escrevo estou ouvindo o coral da 9ª sinfonia. Não é ferramenta. Não serve para nada. Mas enche a minha alma de felicidade. Nessas duas palavras, ferramentas e brinquedos, está o resumo educação.
Ferramentas e brinquedos não são gaiolas. São asas. Ferramentas me permitem voar pelos caminhos do mundo. Brinquedos me permitem voar pelos caminhos da alma. Quem está aprendendo ferramentas e brinquedos está aprendendo liberdade, não fica violento. Fica alegre, vendo as asas crescer... Assim todo professor, ao ensinar, teria que perguntar: “Isso que vou ensinar, é ferramenta? É brinquedo?“ Se não for é melhor deixar de lado.
As estatísticas oficiais anunciam o aumento das escolas e o aumento dos alunos matriculados. Esses dados não me dizem nada. Não me dizem se são gaiolas ou asas. Mas eu sei que há professores que amam o vôo dos seus alunos.
Há esperança...
Rubem Alves
(Folha de S. Paulo, Tendências e debates, 05/12/2001.)

segunda-feira, outubro 13

Ícone da Paz

MAIS UM GRANDE BEIJA-FLOR ALÇA VÔO RUMO À LIBERDADE CÓSMICA!



Para todos nós que somos aprendizes da arte de viver e que de uma maneira ou de outra tecemos um movimento pela paz, estamos vibrando na unidade e no silêncio com a passagem do nosso querido Pierre Weil, um dos fundadores da Unipaz.
Pierre Weil tinha consciência da força que todos guardamos em nós. Ele foi um arauto dessa leitura de um ser humano sem idéias bélicas, belo, fraterno, solidário e ético.

"Ele saiu suave, como o azul de seu olhar...

Ele saiu discreto e simples, como seu jeito de não gostar de elogios...

Ele saiu consciente do eterno agora, sereno e alegre...

Ele compreendeu o sentido dessa mudança, querendo até nestes últimos momentos, partilhar com outros, seus lúcidos ensinamentos sistematizados na proposta A Arte de Viver a Vida...

Ele simplesmente permitiu que o sopro encontrasse outra forma de expressão...

Agora este lindo beija-flor está voando leve sobre outros canteiros...

Cabe a nós dignificar o que aprendemos... e que nossas lágrimas e a nossa saudade reguem e adubem ainda mais os canteiros, que na condição de aprendizes de beija-flores, ainda temos que cultivar ..."

Paz e Luz
Val

quarta-feira, setembro 10

Abordagens sobre Visão Holística, Concepção Sistêmica e Interdisciplinaridade: Conceitos e Inter-Relações

Por Paccelli José Maracci Zahler

Para entender a “concepção sistêmica” é necessário entender o que é um “sistema”.

Um “sistema” se constitui na “interação de um conjunto de processos (ou seja, um conjunto de elementos) que, combinados, geram algum tipo de função ou funcionamento” SENAC (2006).

Segundo VON BERTALANFFY (1977), a análise dos sistemas trata a organização como um sistema de variáveis mutuamente dependentes. Assim, pode-se chegar ao conceito de “sistemas vivos”, que incluem organismos individuais e suas partes, sistemas sociais (famílias e comunidades) e ecossistemas (SENAC, 2006).

De acordo com CAPRA (1996), a ciência cartesiana acreditava que, em qualquer sistema complexo, o comportamento do todo podia ser analisado pelas propriedades de suas partes. Em contraposição, a ciência sistêmica mostra que os sistemas vivos não podem ser compreendidos por meio da análise, ou seja, as propriedades das partes não são propriedades intrínsecas e só podem ser entendidas dentro do conceito do todo. Assim, o pensamento ou concepção sistêmica procura explicar as coisas considerando o seu meio ambiente e, nas palavras daquele autor, “todo pensamento sistêmico é pensamento ambientalista”.

Por ser uma ciência integradora, a Ecologia oferece subsídios para que a sociedade possa compreender as questões ambientais. Dessa maneira, ela passou a abordar a relação homem-natureza como algo uno, rompendo o paradigma do homem separado da natureza.
Essa visão do todo e de suas interações é chamada de “visão holística”.

BOFF (1993) defende que a Ecologia exige uma visão da totalidade, chamada “holismo” ou “visão holística”. Segundo ele, “holismo” vem do grego “holos”, que significa “totalidade”, termo divulgado pelo filósofo sul-africano Jan Smutts, a partir de 1926.

Verifica-se que, para se chegar à “visão holística” é necessário uma compreensão “sistêmica” e esta, por sua vez, vai necessitar de conhecimentos de diversas áreas do saber humano, seja pela “multidisciplinaridade” ou pela “interdisciplinaridade”.

No estudo multidisciplinar, várias áreas do conhecimento humano discorrem sobre determinado tema de forma independente, sem troca de idéias.

No estudo interdisciplinar, cada área do conhecimento vai discutir uma determinada questão, em conjunto, para solucioná-la ou para contribuir para um melhor entendimento.

O estudo interdisciplinar parece ser a abordagem mais apropriada para a ciência da Ecologia, por permitir uma melhor compreensão dos sistemas (concepção sistêmica) pela identificação e interpretação dos seus elementos, possibilitando uma “visão holística” e, conseqüentemente, a proposição de soluções para os problemas ambientais da atualidade.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

BOFF, Leonardo. Ecologia:um novo paradigma. In: Ecologia, mundialização e espiritualização. São Paulo: Editora Ática, 1993.
CAPRA, Fritjof. A teia da vida. São Paulo: Editora Pensamento-Cultrix, 1996.
SENAC. Princípios de ecologia e conservação da natureza. Bloco temático II. E-book do Curso de Educação Ambiental, Brasília, Distrito Federal, 2006.
VON BERTALANFFY, Ludwig. Teoria geral dos sistemas. Petrópolis: Vozes, 1977.

sábado, agosto 23

A invenção da infância


A invenção da infância- Liliana Sulzbach
Um curta metragem de grande valia para nós que buscamos uma perspectiva de maior humanização com nossas crianças.
Nos leva a uma boa reflexão sobre o que é ser criança no mundo atual e faz bem o recorte em cima “Das esquecidas às estressadas, das mimadas às exploradas, todas as nuances das crianças do Brasil.”

Vale a pena conferir!!!



"O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade." (Karl Mannheim)

sexta-feira, julho 25

"Só de sacanagem" by Elisa Lucinda

Maravilhoso texto, de Elisa Lucinda,deve ser divulgado em homenagem à todos aqueles que ainda têm a capacidade de indignação!
E “ SÓ DE SACANAGEM”, vou também continuar honesta!!
Abraços, Val












Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro.

Do meu dinheiro, do nosso dinheiro, Que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós. Para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz. Mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó E dos justos que os precederam: “Não roubarás”. “Devolva o lápis do coleguinha”. “Esse apontador não é seu, minha filha”.

Pois bem, se mexeram comigo, Com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, Então agora eu vou sacanear: Mais honesta ainda vou ficar!

Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” E eu vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez”. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.

Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau. Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. E eu direi: “Não admito, minha esperança é imortal”. E eu repito: “Ouviram? IMORTAL!”

Sei que não dá para mudar o começo Mas, se a gente quiser, Vai dar para mudar o final!
Elisa Lucinda

terça-feira, julho 22

Educação ambiental

Recebi o boletim da Revista Sustentabilidade, nele um artigo que com certeza, serve para nós educadores que queremos sair da mesmice de currículos engessados norteados por princípios e valores que se apresentam como verdades estabelecidas e imutáveis!!!
Um bj, Val


De professor para professor: o desafio da transversalidade da educação ambiental
por Dayane Cunha 21/07/2008


O olhar do professor é um olhar qualificado que busca sempre a transmissão de informações e valores. Este é o cerne de todo planejamento educacional. Já o jornalista especializa-se na transmissão de informação, não sempre desprovida de valores ou ideologias.
O encontro destas duas profissões, portanto, abre um grande potencial, pois as técnicas são diferentes. E já que antes de entrar para o jornalismo fui professora, o antigo ofício me ajudou numa entrevista com uma educadora ambiental para a Revista Sustentabilidade.
Assim, entendendo as motivações e os desafios do professor, percebo que trabalhar a educação ambiental nas escolas é muito mais que pintar desenhos em comemoração ao dia da árvore, plantar um feijão num copo descartável ou fazer um brinquedo de sucata. Para a professora Bere Gehlen Adams, educação ambiental deve ser encarada como um elo entre todas as disciplinas para preencher uma lacuna e valorizar o meio ambiente, e portanto, a vida.
Esta colocação trouxe à tona minha experiência como professora, quando tentei trabalhar o tema com meus alunos de educação infantil.
As conversas duraram duas semanas, pois tentávamos, a cada troca de e-mail, destrinchar como funcionaria uma programação e como um professor pode começar a desenvolver o tema de educação ambiental em sua aula de aula.

Leia abaixo os principais trechos da conversa.

Revista Sustentabilidade: Conte um pouquinho da sua rotina diária e a rotina de um professor ambiental.




Professora na hora do conto-fonte Revista Sustentabilidade-


Bere Gehlen Adams: Normalmente, pela manhã, acesso o site para ler os recados que são minha fonte de inspiração para prosseguir nesta jornada, que às vezes é um tanto árduo pelas dificuldades em conseguir verbas e parcerias. Para minha rotina, que é um tanto flexível, tenho um cronograma e estabeleço metas de acordo com este cronograma. Nas semanas anteriores, por exemplo, trabalhei intensamente na ampliação de uma coleção infantil voltada para crianças, desde o texto, ilustrações, atividades, editoração até a formatação; na atualização do site do Projeto, na programação da revista eletrônica que está em sua 24ª edição (www.revistaea.org). Então, divido meu tempo entre atividades com a editora e com o projeto.

Revista Sustentabilidade: Como introduzir educação ambiental na educação formal? Virar disciplina obrigatória seria a solução?

Adams: A lei 9795 que institui a educação ambiental no Brasil é clara e coerente com os princípios da educação ambiental delimitados por diferentes coletivos através de conferências internacionais como a Conferência de Tbilisi, a de Belgrado, a Eco-92, que prioriza sua prática como interdisciplinar e orienta a sua inclusão em todas as séries do ensino formal, portanto, desde a educação infantil ao ensino superior.

Revista Sustentabilidade: A interdisciplinaridade tem funcionado?

Adams: Infelizmente esta prática ainda não é efetivada, e muitas escolas optam por engessar a educação ambiental em uma disciplina separada, quando ela deveria estar em todas. Essa questão é muito debatida entre educadores ambientais. Muitos são a favor da criação da disciplina, pois desta forma ela acontece com um professor responsável, uma grade de temática a ser seguida - os famosos conteúdos curriculares - . Na forma interdisciplinar a educação corre o risco de não se efetivar, pois como é de responsabilidade de todos, é de responsabilidade de ninguém ao mesmo tempo.

Revista Sustentabilidade: Por que esta confusão?

Adams: Por desconhecimento dos princípios da educação ambiental contidos nos principais documentos referência que são: O Tratado de Educação Ambiental para Sociedade Sustentavel e Responsabilidade Global, a Carta da Terra e a Lei 9795, entre outros. É preciso promover a capacitação dos profissionais da educação para que tenham suporte teórico, didático e metodológico para a inclusão da educação ambiental na educação formal. [Os educadores] só não praticam a educação ambiental porque sentem falta de referências e de orientação.

Revista Sustentabilidade: Como deve ser o preparo dos professores em educação ambiental?

Adams: Os professores devem participar de atividades que os sensibilizem para a necessidade de uma mudança de postura em relação aos nossos costumes e hábitos e devem ter conhecimento dos documentos que citei anteriormente. Por isto a educação ambiental não é uma tarefa fácil, pois todo educador deverá mudar, passando a enxergar o mundo de forma diferente, e este é o maior desafio que a educação ambiental tem pela frente. Neste sentido a revista eletrônica Educação Ambiental em Ação, do Projeto Apoema, dá um enorme contribuição aos educadores. Também almejamos futuramente fazer uma versão impressa da revista, para alcançar pessoas que são excluídas do universo digital.

Revista Sustentabilidade: Quais os temas que devem ser tratados em educação ambiental? Como trabalhar a interdisciplinaridade? Pode citar um exemplo?

Adams: Depois de conhecidos os princípios e as bases da educação ambiental, sugiro para o professor da educação Infantil ou das séries iniciais do ensino fundamental que faça uma atividade exploratória com as crianças para descobrir o que mais desperta a curiosidade e o interesse delas sobre as questões ambientais. Pode ser através de brincadeiras com imagens, listagens de palavras, alguma história infantil, vai depender da criatividade do docente. Depois de descobrir a temática de interesse, sugiro elaborar um projeto propondo atividades variadas, explorando ao máximo o tema.

Revista Sustentabilidade: Cite alguns exemplos.

Adams: Por exemplo, se o tema for animais, o professor poderá planejar atividades envolvendo animais do bairro, animais de estimação, animais em extinção, animais grandes e pequenos, necessidades dos animais, importância dos animais para o ambiente, necessidades físicas dos animais, cuidado com os animais, classificação dos animais e por aí vai.
É importante abordar as temáticas e desenvolver projetos associando à quatro enfoques: ambiente (A relação do ambiente com a temática abordada e vice-versa), ecologia (as inter-relações que a temática envolve e necessidades vitais), preservação (relação da temática com a preservação) e reciclagem (relação da temática envolve reciclagem) procurando associar as temáticas de interesse que estão sendo trabalhadas a estes enfoques que possibilitarão uma série de associações dos processos de aprendizagem.
Estas atividades podem envolver todas as disciplinas e assim a educação ambiental vai sendo implantada aos poucos, de forma interdisciplinar. O professor atento perceberá o momento em que o assunto estiver esgotando a curiosidade das crianças, que indicarão interesse por outra questão, por exemplo, árvores, ou brinquedos. Aí ele poderá seguir o mesmo processo anterior.

Revista Sustentabilidade: E professores do Ciclo II do ensino fundamental e de ensino médio?

Adams: Se for um professor de disciplina específica, sugiro que estude a sua grade de conteúdos e veja onde poderá inserir os enfoques ambientais. Em português, por exemplo, as atividades podem ser relacionados ao meio ambiente: criar poemas, elaborar redações, criar histórias que remetam a importância do cuidado, da preservação.
Ou em geografia, o professor pode explorar as temáticas ambientais de distintas regiões, trabalhar ambiente natural e ambiente construído, enfatizando que tudo é meio ambiente, e não somente a natureza,. Além disso, é possível trazer assuntos como o estado dos rios do Brasil ou da cidade, a vegetação, a fauna, a flora, etc. E assim para as demais disciplinas.
Sempre digo que a educação ambiental funciona como um óculos, pois o nosso atual sistema de educação está míope, e a educação ambiental vem para corrigir essa distorção de ótica. Passamos a enxergar mais a vida em seu amplo contexto de relações através das lentes da educação ambiental.

Revista Sustentabilidade: Quando se fala em meio ambiente, as pessoas pensam em florestas, longe do ambiente em que vivem. Como mudar esta visão e mostrar que educação ambiental é educar para melhorar o ambiente em que se vive?

Adams: Trabalhar com a educação ambiental é trabalhar com o contraditório, e por isto é tão difícil de compreendê-la na sua prática. Mas é bem mais simples do que parece. Para tirar essa noção de que meio ambiente é algo fora de nós, ou simplesmente uma paisagem natural, com rios límpidos e florestas verdejantes, é importante desenvolver atividades com as crianças em espaços diversos, jardins, parques, museus, até shopping centers, se fizer parte da realidade das crianças, e utilizar estes espaços como Estruturas Educadoras.
Há uma linha teórica sobre este assunto, que aborda a educação ambiental numa simples volta na quadra da escola, ou mesmo dentro das dependências do ambiente educacional, pois tudo é ambiente, com a diferença que pode ser natural ou construído, e, em sendo construído, foi construído com elementos do ambiente.

Revista Sustentabilidade: Como assim?

Adams: Podemos exemplificar com uma escada de pedra que tenha um corrimão de madeira. Nossa! Dá para trabalhar muitas coisas, como: de onde vem aquelas pedras e aquela madeira? Quem as transformou? Aí entra o pedreiro e o marceneiro, [representando as] profissões. E quantos degraus tem essa escada? Quantas pedras tem nessa escada, que podemos contar? Aí entra matemática. E assim como a escada serviu como estrutura educadora, assim também temos inúmeros outros espaços que podem ser explorados incluindo sempre o enfoque ambiental. E outra coisa importante a salientar é que o professor não precisa ser biólogo, cientista, agrônomo, ele não precisa saber tudo sobre meio ambiente, pois vai aprender junto com seus alunos.

Revista Sustentabilidade: Qual seu conselho para o professor que deseja trabalhar com educação ambiental?

Adams: Um professor curioso e interessado também é fundamental para todo processo de aprendizagem. E é desta forma, educando diferente, inclusive conversando sobre as contrariedades que vivenciamos como a questão da separação do lixo e da falta da coleta seletiva.
É importante saber primeiro o que eu posso fazer para melhorar o meu relacionamento com o meio ambiente, pois esta mudança deve ser espontânea, e não deve ocorrer pela crítica ou pelo dedo apontado aos outros que ainda não se sensibilizaram para a importância de cuidar do meio ambiente.
É desta forma que os educadores podem oferecer para as crianças uma nova visão de mundo, lembrando que para nós adultos, é bem mais difícil, porque temos que primeiro desaprender tudo o que aprendemos, para reaprender a ler o mundo de forma interdisciplinar. Só então perceberemos que tudo está relacionado entre si, e que dependemos uns dos outros para viver.

segunda-feira, julho 14

Toda Mafalda

"Toda Mafalda
Quadrinhos críticos, charmosos e engraçados"




"Mafalda é um dos personagens mais ricos e interessantes das histórias em quadrinhos. Desconhecida da atual geração de leitores, essa menininha argentina e toda a sua turma foram criadas, nos anos 1960, por Quino, quadrinista portenho famoso em todo o mundo. O contexto em que foi criada explica, em parte, uma das peculiaridades dessa impressionante coleção de tiras publicadas em jornais e que foram editadas em vários livros, inclusive numa coletânea conhecida como “Toda Mafalda”.

Filhos da contracultura, de uma época de rebeldia e crítica, de busca incessante pela autonomia e também de posicionamentos políticos idealistas em favor de alternativas viáveis ao capitalismo, Mafalda e os demais personagens de Quino carregam em suas histórias todo o inconformismo daquela geração de pessoas.

Se não bastasse isso, toda a turma da Mafalda nasceu na Argentina, país vizinho em relação ao qual cultivamos certas rivalidades, mas que certamente possui uma população culturalmente bem formada, politicamente engajada e, além do mais, esclarecida o suficiente para sempre manifestar suas insatisfações, seus sonhos e seus objetivos.

Percebemos isso, por exemplo, quando Mafalda se debruça sobre o mapa do mundo, visualiza os países, nota a diferença de cores utilizadas para representar cada uma das nações e o seu comportamento não é o de aceitar passivamente a informação que lhe é apresentada. Ela percebe as tonalidades, a beleza das cores e também é capaz de manifestar a sua indignação por saber que todo o colorido do mapa nada tem a ver com as intenções dos países.










Suas histórias curtas são tão surpreendentes e precoces em certas temáticas e idéias que quando observamos atentamente as tiras conseguimos notar preocupações como a questão ambiental. Num de seus quadrinhos a menina encontra o pai e lhe pergunta sobre as pilhas para o rádio da família. Depois de pegar as pilhas ela se encaminha para o aparelho, substitui as velhas por novas baterias e depois contempla o resíduo de sua substituição de forma pensativa. Ao final conclui: “O que devemos fazer com o cadáver da outra?”.

É basicamente o que nos perguntamos atualmente quanto ao lixo produzido em nossas cidades. Quantidades cada vez maiores de plásticos, vidros, madeiras, metais, restos de alimentos e tantos outros entulhos são depositados diariamente na porta de nossas casas, em latas de lixo ou caixas. Para onde vai tudo isso? O que é feito do lixo? Não daria para criar programas de reciclagem em larga escala? Não contaminamos o solo ao enterrar todo esse material jogado fora?

As frustrações do cotidiano também surgem como temática presente nas tiras de Quino e demonstram as nossas insatisfações e decepções a nos colocar em situações de stress e desgaste que poderiam ser contornados ou superados se fôssemos apenas um pouco mais pacientes e/ou compreensivos. É também uma antecipação de um dos grandes males que vivemos desde as duas últimas décadas do século XX, ou seja, a submissão à velocidade em nossas vidas a provocar doenças e psicoses muitas vezes incuráveis.

Mafalda pensa consigo mesma que “Parece que hoje é um desses dias em que a gente entra na vida pela porta dos fundos” ao perceber que pelas ruas há pessoas mendigando, agitação e brigas no trânsito, nervosismo e palavrões nas atitudes e falas dos cidadãos ao final de um simples passeio feito por ela pelas ruas de sua cidade.




Como dizem os profetas do apocalipse, de boas intenções o inferno já está cheio. Não basta simplesmente pensar ou falar de forma a proferir os melhores princípios e a ética sonhada pela sociedade, é necessário agir nesse sentido, realizar transformações que efetivem uma prática mais solidária, responsável, respeitável e digna. Mafalda apenas expressa através de seus quadrinhos que devemos repensar o mundo, o cotidiano e as relações que aqui estabelecemos...

Temas polêmicos, como o racismo, constituem assuntos recorrentes nos encontros da turminha de crianças argentinas criadas por Quino. Numa conversa com Susanita a respeito da gravidez de sua mãe, Mafalda é identificada como defensora dos direitos civis e da igualdade social por sua amiga e, depois é inquirida sobre a possibilidade de ter um irmãozinho negro.

Os comentários de Susanita são sempre pueris e no sentido desse nascimento como sendo uma expressão democrática. Mafalda apenas escuta enquanto seu pai espreita o bate-papo das duas meninas. Depois da afirmação da possibilidade de ter um filho negrinho aparece Susanita com um cesto de lixo na cabeça a afirmar: “Puxa, mas o que foi que deu no seu pai?”.

A inocência da infância se contrapõe a uma discussão que gera grande debate ainda hoje. A amiga de Mafalda, desconhecedora dos caminhos da fecundação e os laços de intimidade relacionados a tal encontro nem imagina que tenha ofendido a honra do pai de Mafalda. Susanita apenas pensava estar levantando uma hipótese válida e interessante no sentido da tolerância e respeito a diversidade étnica...




Até mesmo a escola é fruto da reflexão da esperta e atenta niña portenha. Numa de suas aulas, ao ser chamada à frente para conjugar o verbo confiar no tempo presente, Mafalda se mostra preparada e realiza a tarefa totalmente de acordo com o que se espera. Enquanto isso a professora, sentada em sua cadeira, tendo ao fundo a lousa, presta atenção ao desempenho de sua aluna. Quando termina o exercício, Mafalda se volta para a professora e a surpreende com a afirmação: “Como somos ingênuos, não?”.

Tanta confiança por parte de todos os mencionados em sua tarefa despertou uma reação de perplexidade e até de indignação em Mafalda. Por que confiamos tanto? Temos motivos para agir dessa forma? Somos respeitados plenamente em nossos direitos? Como podemos explicar as desigualdades? De que forma podemos justificar a pobreza e as exclusões? Essas são apenas algumas das perguntas que poderiam estar passando pela cabeça da personagem na alusão criada por Quino...

E as nossas crianças? E os nossos alunos? Possuem senso crítico? Buscam maior esclarecimento? Questionam o mundo em que vivem? Ou são apenas acomodados e alienados a cumprir as horas que lhes foram concedidas pela graça divina?

E se ampliarmos a pergunta e questionarmos a escola e não apenas os estudantes sobre a necessidade de maior participação, posicionamento político e criticidade? Será que os professores estão fazendo a sua parte ou apenas batem o cartão de ponto, dão aulas que pouco ou nada acrescentam e apenas esperam o pagamento no final do mês? O que estamos fazendo em sala de aula é representativo para nossos alunos e para a sociedade?

Apesar de todos esses temas e muitos outros que instigam e provocam os leitores a pensar e repensar o mundo em que vivem, as tiras de Mafalda são também pródigas em ternura e carinho tanto no âmbito familiar quanto entre os amigos. Em nosso atual contexto de vida, em que as pessoas pouco se doam ou fazem em prol do próximo, são também importantes essas lições extraídas do contexto familiar e de amizades da personagem.




Numa de minhas tiras preferidas a pequena Mafalda levanta-se de sua cama e vai ao banheiro atrás de seu pai que está fazendo a barba. Ao encontrá-lo, a menina lhe deseja um bom dia e o felicita por sua juventude e beleza dando-lhe um caloroso beijo no rosto ainda não barbeado. Surpreso e maravilhado com o gesto da filha, o pai aparece num outro quadrinho, no ônibus, ao lado de um atônito passageiro, com o lado do rosto em que foi beijado pela filha sem barbear enquanto o resto de sua face está limpa...

Aparente brincadeira de criança, a leitura de histórias em quadrinhos pode muito bem nos levar a sérias e importantes reflexões sobre o mundo em que vivemos. O mais interessante em tudo isso é que ao mesmo tempo em que aprendemos e nos conscientizamos podemos nos divertir e rir de nossos descaminhos e imperfeições. Há muitas situações com as quais acabamos nos identificando por parecerem demais com o que acontece em nossas próprias casas..."

João Luís Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação

Vale a pena conferir Toda Mafalda, eu já tenho a minha e você?
Uma boa semana cheia de insights!!!
Val














terça-feira, junho 24

Pró-Inclusão


É imprescindível que haja união entre as pessoas, povos, nacionalidades e culturas. Combater essas barreiras faria com que nós crescêssemos cada vez mais como seres humanos.
Acredito que esse objetivo esteja bem próximo de todos os que têm sensibilidade e conscientização de que é possível uma sociedade aberta à diversidade, pois permitir-nos a experiência desse convívio pode ser o começo dessa mudança, que não acontecerá apenas por leis e decretos, mas por profundas alterações nas representações sobre os outros a serem incluídos e de nossas próprias identidades.



Alguns filmes e livros relacionados à inclusão!!

LIVROS RELACIONADOS À INCLUSÃO

A cegueira e o saber-Affonso Romano de Sant’ Anna Nas seis primeiras crônicas, que dão título ao livro, o autor seleciona lendas, mitos e textos literários sobre o "intrigante tópico da cegueira e do (não) saber", como o Ensaio sobre a cegueira, de Saramago, Em terra de cego, conto de H. G. Wells, A carta roubada, de Poe, A nova roupa do imperador, de Andersen, entre outros, para apresentar os vários aspectos do ver e do não-ver – a cegueira como uma praga temporária, a visão arrogante que não enxerga o óbvio, o pacto social em torno do não-ver, a sabedoria que ilumina a vida interior, o desafio de ver o mundo com novos olhos.

Cadê a Síndrome de Down que estava aqui ? O gato comeu! Lucio, filho de Lurdinha, nasceu com síndrome de Down. Esta anomalia genética, a trissomia do cromossomo 21, é comumente associada à deficiência mental. Neste livro, as autoras adotam uma visão diferente. Descrevem as ações de Lurdinha procurando mostrar que pessoas com síndrome de Down podem desenvolver-se de modo muito próximo ao da normalidade. O livro emociona, propõe questionamentos, indica alternativas. Traduz indignação ante o preconceito e luta contra ele, ao mesmo tempo que traz a esperança de bani-lo pela demonstração de que a deficiência mental na síndrome de Down é socialmente construída.


Atividade Física Adptada - Editora:Aladim São dezenas de milhões de brasileiros com condições especiais de saúde, locomoção ou percepção. No entanto, poucos entre esses sequer sabem que podem se beneficiar com programas específicos de exercícios. Nesse contexto, a obra Atividade Física Adaptada – qualidade de vida para pessoas com necessidades especiais chega para mostrar que a prática física, quando bem orientada, pode ser muito proveitosa para esses indivíduos.
Autora: Márcia Greguol Gorgatti e Roberto Fernandes da Costa


A Inserção da Pessoa com Deficiência no Mundo do Trabalho: o Resgate de um Direito de CidadaniaA Inserção da Pessoa com Deficiência no Mundo do Trabalho: o Resgate de um Direito de Cidadania, de autoria dos auditores fiscais do Trabalho Lucíola Rodrigues Jaime e José Carlos do Carmo, da Delegacia Regional do Trabalho no Estado de São Paulo DRT/SP, é um texto técnico da melhor qualidade, permeado dos aspectos humanos que envolvem o tema abordado. Apesar de já contarmos com várias publicações relacionadas às pessoas com deficiência, elel preenche uma lacuna, explicitando aspectos importantes da camada Lei de Cotas, que obriga as empresas a reservarem parte de seus postos de trabalho para estas pessoas O livro aborda pontos que têm sido motivo de dúvidas e interpretações equivocadas, como, por exemplo, quais empresas estão enquadradas nesta obrigatoriedade, qual o número de vagas a serem preenchidas, qual o conceito legal de pessoa com deficiência e reabilitada profissionalmente, onde encontrá-las, como age a DRT/SP nos casos de irregularidade, qual o valor da multa pelo não cumprimento da cota. Autoria: Lucíola Rodrigues Jaime e José Carlos do Carmo


A nova LDB e a Educação Especial Texto indispensável para entender a LDB. Discute de forma objetiva e abrangente a nova lei em relação à inclusão de estudantes com deficiência na escola regular. Autora: Rosita Edler Carvalho
A Revolução sexual sobre rodas – Editora O Nome da Rosa
O autor, com a intenção de diminuir o medo, a vergonha e o isolamento afetivo e sexual a que muitos deficientes físicos se condenam, esclarece neste livro as principais dúvidas sobre tratamentos, recursos e atitudes a serem mantidas para uma sexualidade livre e prazerosa depois da deficiência física. Tratando também da inclusão social, este livro ajuda o deficiente físico a resgatar a vida, a autonomia, o afeto e o erotismo esquecido.


Coleção Meu Amigo Down - Editora: WVA Em casa, na rua, na escola As histórias são narradas por um menino que não entende por que seu amigo com síndrome de down enfrenta situações tão delicadas
Autora:Cláudia Werneck

FILMES RELACIONADOS À INCLUSÃO

Crianças Invisíveis
Uma série de curtas mostrando a dificuldade das crianças em sobreviver ao enfrentar a realidade das ruas.Seja coletando sucata nas ruas de São Paulo ou roubando para viver em Nápoles e no interior da Sérvia, os filmes são protagonizados por personagens infantis que lidam com uma dura realidade, na qual crescer muito cedo acaba sendo a única saída.
Janela da Alma
Dezenove pessoas com deficiência visual contam como se vêem, como vêem os outros e como se relacionam com o mundo

King Gimp
Vencedor do Oscar, esse documentário retrata a vida de uma pessoa com paralisia cerebral.

LIBERDADE PARA AS BORBOLETAS Jovem músico cego decide morar sozinho, longe da mãe superprotetora. Aluga apartamento em São Francisco e envolve-se com uma vizinha, atriz. A mãe do rapaz e as exigências da profissão da moça são dois grandes obstáculos para o relacionamento deles.

Educação Inclusiva é um processo de constante aprendizagem sobre a convivência com a "diferença".

Um grande bj, Val

sexta-feira, junho 13

Sobre cativar...


"Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez a tua rosa tão importante.Hoje em dia os homens não têm tempo para mais nada. Compram tudo pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
-Mas o que é cativar? disse o Pequeno Príncipe à raposa.
-É criar laços. Então serei para ti única no mundo e tu serás para mim único no mundo.Tu te tornas eternamente responsável por aquele que cativas."

Exupèry

sábado, maio 31

Os brancos são loucos-Jung




















Na época de sua viagem ao Novo México, para ver os índios pueblos, um dia Jung teve uma conversa com um de seus chefes, Ochwiay Biano (Lago da Montanha), que lhe permitiu compreender algumas coisas. Os dois estavam sentados no alto terraço que cobria a casa do índio, e olhavam o Sol brilhante subir lentamente no céu. Após um longo silêncio, Lago da Montanha tirou seu cachimbo da boca, olhou Jung no fundo dos olhos e, abanando a cabeça, lhe disse:

-Os brancos são cruéis.Veja como os brancos têm um ar cruel. Seus lábios são finos, seus narizes pontiagudos, suas faces lavradas de rugas. Seus olhos são fixos: têm sempre o ar de estar procurando alguma coisa. O que eles procuram? Os brancos estão sempre insatisfeitos, agitados. Nós não sabemos o que eles querem. Não os compreendemos. Nós pensamos que eles são loucos.

- Os brancos são loucos? Perguntou Jung. Mas por que?

- Eles dizem que pensam com suas cabeças, respondeu Lago da Montanha.

- Mas naturalmente, respondeu Jung surpreso. Com o que pensam os índios?

- Nós pensamos aqui, disse Lago da Montanha, mostrando o coração.

Jung foi atingido por outra resposta. Afinal, saber meditar, saber se calar, saber se fundir com a natureza, tudo isto também permite ao homem enriquecer. Certamente, o índio não era menos rico que aquele homem de negócios que havia sido bem sucedido em sua vida material e acreditava ter vencido o mundo, mas que não possuía vida.

Citado em Planeta, da obra “MEMÓRIAS, SONHOS E REFLEXÕES”, de Carl Gustav Jung

quarta-feira, maio 14

Blog abandonado

Estou tão sem tempo de passar por aqui, trabalho+trabalho+trabalho e como diz o meu amigo Carlos: "to doido, to toido" e eu to doida to doida!!! Contando os dias para que chegue logo sexta-feira e eu possa sair dessa loucura...
Um bom rodeio na cidade de Camaquã me aguarda e lá estarei com meu KIT família, aproveitando as maravilhas que existem nessa festa campeira!!
Chega logo sexta-feira!

Bem, separei um texto da Martha Medeiros que logo que li pensei em postar no blog.
Como eu penso que todos os dias são nossos dias...deixo aqui minha homenagem para todas as mulheres que são mães, vale as tentantes e tb as por tabela!!
Bj













O mundo não é maternal...
(texto de Martha Medeiros)


É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é adulto.
Quando se é adolescente pensa que viveria melhor sem ela, mas é erro de cálculo.
Mãe é bom em qualquer idade.
Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco.
O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome. Não liga se virarmos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos.
O mundo quer defender o seu, não o nosso.
O mundo quer que a gente fique horas no telefone, torrando dinheiro.
Quer que a gente case logo e compre um apartamento que vai nos deixar endividado por 20 anos. O mundo quer que a gente ande na moda, que a gente troque de carro,
que a gente tenha boa aparência,
e estoure o cartão de crédito.
Mãe também quer que a gente
tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, com os nossos dentes
e nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba.
O mundo nos olha superficialmente.
Não consegue enxergar através.
Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento.
O mundo quer que sejamos lindos,
Sarados e vitoriosos, para enfeitar ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta.
O mundo não tira nossa febre,
não penteia nosso cabelo,
não oferece um pedaço de bolo feito em casa.
O mundo quer nosso voto
mas não quer atender nossas necessidades.
O mundo, quando não concorda com a gente,
nos pune, nos rotula, nos exclui.
O mundo não tem doçura, não tem paciência,
não pára para nos ouvir.
O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada
dos nossos medos de infância,
das nossas notas no colégio,
de como foi duro arranjar o primeiro emprego.
Para o mundo, quem menos corre, voa.
Quem não se comunica se trumbica.
Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
O mundo não quer saber de indivíduos,
e sim de slogans e estatísticas...
Mãe é de outro mundo.
É emocionalmente incorreta:
exclusivista,
parcial,
metida,
brigona,
insistente,
dramática,
chega a ser até corruptível
se oferecermos em troca alguma atenção.
Mãe sofre no lugar da gente,
se preocupa com detalhes
e tenta adivinhar todas as nossas vontades,
Enquanto que o mundo propriamente dito
exige eficiência máxima,
seleciona os mais bem dotados
e cobra caro pelo seu tempo.

Mãe é de graça!!!

sábado, abril 26

22 de abril- Dia Mundial da Terra

"A teoria de Gaia - tese apresentada em 1969 pelo britânico James E. Lovelockque que afirma ser o planeta Terra um ser vivo, que sua biosfera é capaz de gerar, manter e regular as suas próprias condições de meio-ambiente, ou seja: é a vida da Terra que cria as condições para a sua própria sobrevivência, e não o contrário, como as teorias tradicionais sugerem. Com o fenômeno do aquecimento global e a crise climática no mundo, a hipótese tem ganhado credibilidade entre cientistas.

O nome Gaia é uma homenagem à deusa grega da Terra.













O Planeta Terra - é o terceiro planeta do Sistema Solar, com cerca de 4,5 bilhões de anos, 510,3 milhões de km2 de área total, com aproximadamente 97% composto por água. Em 22 de abril de 1970, foi criado o dia mundial da Terra, pelo Senador norte-americano Gaylord Nelson, no primeiro protesto americano contra a poluição. Mas foi só a partir de 1990 que outros países passaram a celebrar a data.

Terra, planeta feminino, capaz de gerar vida, movido por ciclos, influenciado pela lua… como as mulheres,.. como eu.

Eu, Lyanne - nasci a 22 de abril de 1970. Mulher, capaz de gerar vida, movida por ciclos, influenciada pela lua… agora entendo porque coisas tão simples e prosaicas me fazem tão feliz, como o cheiro de terra molhada, perceber os perfumes que o vento traz, ouvir o barulho da água correndo, o cheiro do mar, deitar na grama, observar o movimentos das árvores, ver uma flor nascer, ver o sol se por…

Será que meus filhos vão poder usufruir dessas sensações? Será que vão ter água para beber, ar puro para respirar, alimentos saudáveis para comer?

Tantas são as campanhas de conscientização para que se preserve o meio ambiente, os recursos naturais, a vida… mas quando será que o ser humano, que se diz racional, vai perceber isso?"
*Escrito por Viajante Consciente*

Linda esta postagem!!
É isso aí precisamos trabalhar nossas atitudes do dia-a-dia, agir localmente e pensar globalmente, tudo pela sustentabilidade do nosso planeta.
Penso nos meus futuros netos, oxalá que eles convivam com toda biodiversidade que existe aqui na Terra!!
Vamos salvar Gaia!