"Tenta te orientar pelo calendário das flores, esquece por um momento os números, a semana, o dia do teu nascimento. Se conseguires ser leve, aproveite, enche tuas malas de sonho e toma carona no vento."

Fernando Campanella

sábado, maio 31

Os brancos são loucos-Jung




















Na época de sua viagem ao Novo México, para ver os índios pueblos, um dia Jung teve uma conversa com um de seus chefes, Ochwiay Biano (Lago da Montanha), que lhe permitiu compreender algumas coisas. Os dois estavam sentados no alto terraço que cobria a casa do índio, e olhavam o Sol brilhante subir lentamente no céu. Após um longo silêncio, Lago da Montanha tirou seu cachimbo da boca, olhou Jung no fundo dos olhos e, abanando a cabeça, lhe disse:

-Os brancos são cruéis.Veja como os brancos têm um ar cruel. Seus lábios são finos, seus narizes pontiagudos, suas faces lavradas de rugas. Seus olhos são fixos: têm sempre o ar de estar procurando alguma coisa. O que eles procuram? Os brancos estão sempre insatisfeitos, agitados. Nós não sabemos o que eles querem. Não os compreendemos. Nós pensamos que eles são loucos.

- Os brancos são loucos? Perguntou Jung. Mas por que?

- Eles dizem que pensam com suas cabeças, respondeu Lago da Montanha.

- Mas naturalmente, respondeu Jung surpreso. Com o que pensam os índios?

- Nós pensamos aqui, disse Lago da Montanha, mostrando o coração.

Jung foi atingido por outra resposta. Afinal, saber meditar, saber se calar, saber se fundir com a natureza, tudo isto também permite ao homem enriquecer. Certamente, o índio não era menos rico que aquele homem de negócios que havia sido bem sucedido em sua vida material e acreditava ter vencido o mundo, mas que não possuía vida.

Citado em Planeta, da obra “MEMÓRIAS, SONHOS E REFLEXÕES”, de Carl Gustav Jung

quarta-feira, maio 14

Blog abandonado

Estou tão sem tempo de passar por aqui, trabalho+trabalho+trabalho e como diz o meu amigo Carlos: "to doido, to toido" e eu to doida to doida!!! Contando os dias para que chegue logo sexta-feira e eu possa sair dessa loucura...
Um bom rodeio na cidade de Camaquã me aguarda e lá estarei com meu KIT família, aproveitando as maravilhas que existem nessa festa campeira!!
Chega logo sexta-feira!

Bem, separei um texto da Martha Medeiros que logo que li pensei em postar no blog.
Como eu penso que todos os dias são nossos dias...deixo aqui minha homenagem para todas as mulheres que são mães, vale as tentantes e tb as por tabela!!
Bj













O mundo não é maternal...
(texto de Martha Medeiros)


É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é adulto.
Quando se é adolescente pensa que viveria melhor sem ela, mas é erro de cálculo.
Mãe é bom em qualquer idade.
Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco.
O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome. Não liga se virarmos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos.
O mundo quer defender o seu, não o nosso.
O mundo quer que a gente fique horas no telefone, torrando dinheiro.
Quer que a gente case logo e compre um apartamento que vai nos deixar endividado por 20 anos. O mundo quer que a gente ande na moda, que a gente troque de carro,
que a gente tenha boa aparência,
e estoure o cartão de crédito.
Mãe também quer que a gente
tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, com os nossos dentes
e nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba.
O mundo nos olha superficialmente.
Não consegue enxergar através.
Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento.
O mundo quer que sejamos lindos,
Sarados e vitoriosos, para enfeitar ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta.
O mundo não tira nossa febre,
não penteia nosso cabelo,
não oferece um pedaço de bolo feito em casa.
O mundo quer nosso voto
mas não quer atender nossas necessidades.
O mundo, quando não concorda com a gente,
nos pune, nos rotula, nos exclui.
O mundo não tem doçura, não tem paciência,
não pára para nos ouvir.
O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada
dos nossos medos de infância,
das nossas notas no colégio,
de como foi duro arranjar o primeiro emprego.
Para o mundo, quem menos corre, voa.
Quem não se comunica se trumbica.
Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
O mundo não quer saber de indivíduos,
e sim de slogans e estatísticas...
Mãe é de outro mundo.
É emocionalmente incorreta:
exclusivista,
parcial,
metida,
brigona,
insistente,
dramática,
chega a ser até corruptível
se oferecermos em troca alguma atenção.
Mãe sofre no lugar da gente,
se preocupa com detalhes
e tenta adivinhar todas as nossas vontades,
Enquanto que o mundo propriamente dito
exige eficiência máxima,
seleciona os mais bem dotados
e cobra caro pelo seu tempo.

Mãe é de graça!!!

sábado, abril 26

22 de abril- Dia Mundial da Terra

"A teoria de Gaia - tese apresentada em 1969 pelo britânico James E. Lovelockque que afirma ser o planeta Terra um ser vivo, que sua biosfera é capaz de gerar, manter e regular as suas próprias condições de meio-ambiente, ou seja: é a vida da Terra que cria as condições para a sua própria sobrevivência, e não o contrário, como as teorias tradicionais sugerem. Com o fenômeno do aquecimento global e a crise climática no mundo, a hipótese tem ganhado credibilidade entre cientistas.

O nome Gaia é uma homenagem à deusa grega da Terra.













O Planeta Terra - é o terceiro planeta do Sistema Solar, com cerca de 4,5 bilhões de anos, 510,3 milhões de km2 de área total, com aproximadamente 97% composto por água. Em 22 de abril de 1970, foi criado o dia mundial da Terra, pelo Senador norte-americano Gaylord Nelson, no primeiro protesto americano contra a poluição. Mas foi só a partir de 1990 que outros países passaram a celebrar a data.

Terra, planeta feminino, capaz de gerar vida, movido por ciclos, influenciado pela lua… como as mulheres,.. como eu.

Eu, Lyanne - nasci a 22 de abril de 1970. Mulher, capaz de gerar vida, movida por ciclos, influenciada pela lua… agora entendo porque coisas tão simples e prosaicas me fazem tão feliz, como o cheiro de terra molhada, perceber os perfumes que o vento traz, ouvir o barulho da água correndo, o cheiro do mar, deitar na grama, observar o movimentos das árvores, ver uma flor nascer, ver o sol se por…

Será que meus filhos vão poder usufruir dessas sensações? Será que vão ter água para beber, ar puro para respirar, alimentos saudáveis para comer?

Tantas são as campanhas de conscientização para que se preserve o meio ambiente, os recursos naturais, a vida… mas quando será que o ser humano, que se diz racional, vai perceber isso?"
*Escrito por Viajante Consciente*

Linda esta postagem!!
É isso aí precisamos trabalhar nossas atitudes do dia-a-dia, agir localmente e pensar globalmente, tudo pela sustentabilidade do nosso planeta.
Penso nos meus futuros netos, oxalá que eles convivam com toda biodiversidade que existe aqui na Terra!!
Vamos salvar Gaia!

sábado, abril 19

Lápis "Cor de pele" Faber-Castell

Esta é a mensagem enviada por Denise Camargo, para a Faber-Castell, fabricante, entre outros produtos, de lápis para colorir.
É bom divulgar essa afronta que a empresa está praticando em relação às práticas racistas e excludentes no que diz respeito aos negros!!!


Gostaria de contar-lhes a seguinte história: Quando meu filho ingressou na escola de educação infantil, chegou aqui em casa certo dia dizendo que queria ser "cor de pele". Gostaria de informar que somos negros. Meu marido é branco. Nosso filho, mestiço. Não conseguimos entender o desejo dele, pois ele já era cor de pele - foi o que respondi. "Filho, você é cor de pele. Cor de pele negra".
Esse tema rondou a casa por semanas até que um dia fui à escola descobrir o que estava havendo. E, para minha surpresa, o fato era uma mistura de incompetência para a diversidade brasileira vinda da própria professora e, muito fortemente, saída também da Faber-Castell, que tem na sua caixa de lápis de 36 cores uma cor chamada PELE. Que cor é essa? Um salmão, rosa-claro, rosinha a que o fabricante denomina PELE. Pele de quem, me pergunto? Pele branca, é claro. Não seria legítimo em um país de maioria negra que houvesse também uma cor na caixa de lápis para quem não tem pele branca? Ressalto que,sim, embora as estatísticas camuflem esse dado, o Brasil é um país de maioria negra. E posso informar bibliografia consistente sobre o assunto, se necessário.
Ou insiram uma nova cor, que contemple a pele negra, ou mudem o nome dessa, por favor. Meu filho está com sete anos agora e já faz tempo que sabe que ele é "marronzinho", como ele mesmo dizia. Mas entendeu nesse exato momento em que quis ser "cor de pele" que vocês o submeteram a um preconceito disfarçado. Camuflado em uma caixa de lápis que vemos nas propagandas cantantes, coloridas, sorridentes da marca.
O fato é que desde essa época - e faz tempo! tento por este canal, sem sucesso, um contato com a Faber-Castell. O fato é que semana passada, fazendo uma compra pude ver que a cor PELE continua na caixa de lápis fabrica por vocês. Quero uma resposta e providências em uma semana, por favor.
Porque hoje acordei cansada de ser ignorada. Aproveito para informar que, desta vez, usarei todos os recursos necessários para que minha reclamação atinja os canais destinados à ela, bem como instituições que se preocupam com a questão no Brasil.
Atenciosamente, muito atenciosamente,
Denise Camargo


E nós? Até onde contribuímos para que isso continue acontecendo...










Enfim, prefiro pensar na frase de Mandela:
“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”
Nelson Mandela

segunda-feira, março 31

Insanidades do sistema de "saúde" "daquele país sem nome" (os EUA, segundo Trufaut).






Ainda não vi o documentário “Sicko - SOS saúde”, mas li que o provocativo Moore faz uma bela radiografia da relação perversa e lucrativa do governo e as seguradoras de planos de saúde dos EUA.
Falta de humanidade total...
E o nosso Brasil como será que vai?
Aqui temos saúde pública gratuíta...
Imagina um diretor brasileiro assim que nem o Moore. Pelo menos, tema para os seus filmes é uma coisa que não faltaria.

Vou postar aqui uma reprodução retirada da internet sobre o polêmico documentário, na pressa não salvei a fonte!!
Mas vale a pena ler o artigo!!!

"Michael Moore volta a atacar em "Sicko - $O$ Saúde"

Reprodução

Estreou no dia (07) de março, o filme “Sicko - $O$ Saúde”, o novo documentário do polêmico Michael Moore, que desta vez, com toda sua ironia e manipulação, ataca o sistema de saúde americano.

O filme pretende mostrar o quanto a assistência médica dos Estados Unidos piorou. Moore mostra a história de famílias que faliram por causa das contas dos hospitais e até de pessoas que morreram, porque tiveram seus direitos à saúde negligenciados.

Mas em meio à assustadora situação e terrível cenário que o diretor demonstra em seu longa, como já fez em outros filmes e daquele jeitinho bem parcial, ele ainda consegue arrancar risos do público.

O auge é quando Moore leva sobreviventes do 11 de setembro a Guantánamo - ilha de Cuba onde fica um presídio americano, que, apesar de todos os maus tratos, suspostamente daria aos seus detentos um tratamento médico melhor que aos americanos.

Expert em criticar o governo Bush, Moore escolhe, como tema de seus filmes, fatos que pouco são divulgados pela mídia americana. E apesar de seus estilo parcial e manipulador, ele consegue tirar o sono de muitos representantes do governo e de multinacionais americanas."


Um grande abraço, Val

sábado, março 29

Equinócio de Outono, Páscoa, Meu níver!!!














Aconteceu o Equinócio de Outono onde quem se guia pela Mãe Natureza(solstícios e equinócios)foi o início do ano novo de 2008, no dia 20 de março com a entrada do Sol em Áries.
Veio a Páscoa, meu níver (43 anos bem vividos) e eu não consegui passar por aqui...
Que venha então 2008 com muita saúde e riqueza espiritual que o resto a gente corre atrás!!!
Carinhosamente, Val

sábado, março 15

CLOWNS











A LINGUAGEM DO CLOWN
por Gabriel Perissé

"O TEATRO INFANTIL USA DE MODO BASTANTE FREQÜENTE A LINGUAGEM DO CLOWN, MAS NO ENTANTO, POR VEZES COM UMA VISÃO UM POUCO RASA DO SIGNIFICADO DESTE PERSONAGEM "VERSO E REVERSO DA MESMA MEDALHA - O SER HUMANO" COMO DISSE FEDERICO FELLINI. ENTENDER MELHOR A COMPLEXA E RICA CONSTRUÇÃO DESTE PERSONAGEM, E A RELAÇÃO DO "BRANCO" E DO "AUGUSTO" PODE NÃO SÓ CONTRIBUIR PARA QUE OS ESPETÁCULOS APROFUNDEM SUAS ABORDAGENS MAS PARA O ENTENDIMENTO DESTAS FACETAS DO SER HUMANO.

Os clowns, personagens antigos do teatro e do circo, são caricaturas vivas do ser humano. Há diferentes tipos de clowns. Uma distinção clássica refere-se a dois tipos: o branco e o augusto. O clown augusto é o palhaço coadjuvante. É o bobão, o ingênuo, manipulado pelo clown branco, que encarna o “chefe”, o sabe-tudo.
Mas o clown branco acaba demonstrando seu lado fraco, o ridículo que habita em todos nós. E de repente o augusto surpreende, mostra-se genial, essa genialidade que também em todos nós se encontra adormecida. O clown representa a ordem rígida, o dever, e é de se destacar a coincidência de “branco” ter sido, no século XIX brasileiro, o tratamento de submissão que o sinhô recebia dos negros escravos. Subitamente, porém, nasce um Pelé.
Essa dupla, branco e augusto, pode ajudar a entender as relações sociais, e que papel cada um representa nesse cotidiano mais cotidiano, ao qual os artistas têm às vezes mais acesso do que os cientistas, assumindo os cientistas o papel de brancos, e o de augustos os artistas...
Fellini gostava de usar essa chave de interpretação. Para ele, Hitler era um clown branco. Mussolini, um augusto. Papa Pio XII, um branco. Papa João XXIII, um augusto. Freud, um branco. Jung, um augusto. O augusto é sonho, não é sério, arrisca, leva um tombo. O branco não brinca em serviço, cobra resultados, impera.
FHC é branco, Lula é augusto. O recém-falecido Enéas Ferreira Carneiro, o Dr. Enéas, era augusto (fazendo pose de branco). Paulo Maluf é branco, Jânio Quadros, augusto. Papa Bento XVI é branco, João Paulo II estava mais para augusto. Darcy Ribeiro era augusto, Antonio Candido é branco. Gilberto Freyre era augusto, José Guilherme Merquior era branco.
Vencemos o perigo do simplismo, se observarmos que há um branco escondido no augusto, e um augusto espreitando dentro do branco.
Em virtude de um desses movimentos curiosos da psiquê humana, é comum um branco virar augusto na presença de um branco mais branco — é o puxa-saco. E um augusto virar um branco chefete na presença de um augusto mais augusto. O subchefe é branco, chicoteando o augusto subalterno, mas se torna augusto quando vê o seu superior chegar.

O clown branco e o augusto são a professora e o menino, a mãe e o filho arteiro, e até se podia dizer que o anjo com a espada flamejante e o pecador. São, em suma, duas atitudes psicológicas do homem, o impulso para cima e o impulso para baixo, divididos, separados.
O filme [I Clowns] termina com as duas figuras se encontrando e desaparecendo juntas. Por que comove essa situação? Porque as duas figuras encarnam um mito que está dentro de cada um de nós – a reconciliação dos opostos, a unidade do ser.
A dose de dor que existe na guerra contínua entre o clown branco e o augusto não se deve às músicas nem a nada parecido, mas ao fato de presenciarmos a algo que se liga à nossa própria incapacidade de conciliar as duas figuras. Com efeito, quanto mais procures obrigar o augusto a tocar violino, mais dará soprinhos com o trombone. O clown branco ainda pretenderá que o augusto seja elegante. Mas quanto mais autoritária seja essa intenção, mais o outro se mostrará mal e desajeitado.
É o apólogo de uma educação que procura pôr a vida em termos ideais e abstratos. Mas Lao Tsé dizia com acerto: Quando produzas um pensamento (= clown branco), te ri dele (=clown augusto).

Outra versão do par

Neste ponto, também podia citar a famosa antítese popular chinesa entre ying e yang, o frio e o sol, a fêmea e o macho, todos os possíveis contrastes. Podia-se falar de Hegel e da dialética, acrescentar que os augustos são, mais justamente, uma imagem subproletária do pátio dos milagres, com desnutridos, disformes, marginais, capazes talvez de revoltas, não de revoluções. É provável que o povo sempre os tenha tratado com confiança por causa de sua condição miserável, sentindo-se familiar ao abismo.
Os Fratellini foram os que introduziram um terceiro personagem, o "contre-pitre", parecido ao augusto, mas que se aliava ao patrão. Era o vigarista de rua, o espião, alcagüete da polícia, o liberado a se mover nas duas zonas, a meio caminho da autoridade e do delito.
Com exceção de François Fratellini, que fazia um aéreo clown branco, cheio de graça e amabilidade, incapaz de usar o tom acre da gozação para um mais fraco, todos os clowns brancos eram homens muito duros. Diz-se que Antonet, um afamado clown branco, fora de cena nunca dirigiu a palavra a Beby, que era o seu augusto. O personagem influenciava o homem e vice-versa. Uma das regras do jogo é que o clown branco tem de ser malvado. Ele dá bofetadas.
O augusto: - Tenho sede.
O clown branco: - Tem dinheiro?
O augusto: - Não.
O clown branco: - Então não tem sede.
Outra tendência do clown branco é explorar o augusto, não apenas como objeto de burla, mas como serviçal. Neste ponto, é característico este início: - Não tens que fazer nada, eu faço tudo. – E o clown branco manda o augusto pegar as cadeiras, pondo-lhe a fela sob o traseiro.
O clown branco é um burguês, que de entrada procura surpreender com sua aparência de rico, poderoso, maravilhoso. O rosto é branco, espectral, franze as sobrancelhas, a boca é assinalada por um só traço, duro, antipático, frio, desigual. Os clowns brancos sempre competiram para ficar com o traje mais luxuoso na luta dos figurinos. Célebre foi Theodore, que possuía uma roupa para cada dia do ano.
O augusto, pelo contrário, faz um tipo único que não muda nem pode mudar de roupa. É o mendigo, o menino, o esfarrapado...
A família burguesa é uma junta de clowns brancos, em que a criança se vê relegada à condição de augusto. A mãe diz: Não faças isso, não faças aquilo... Quando se convidam os vizinhos e se pede à criança que diga uma poesia – Mostra a esses senhores como... – é uma típica situação de circo.

Ser augusto é bom para a saúde

O clown branco assusta as crianças por representar o dever ou, empregando uma palavra na moda, a repressão.
A criança se identifica de saída com o augusto, na medida em que esse se parece com um patinho feio ou um cachorro e é maltratado, e por isso quebra os pratos, se retorce no chão, se atira baldes d'água no rosto. É o que a criança gostaria de fazer e os clowns brancos, os adultos, a mãe, a tia, impedem que faça.
No circo, através do augusto, a criança pode imaginar que faz tudo o que está proibido, se vestir de mulher, armar surpresas, gritas, dizer em voz alta o que pensa.
Aqui ninguém te repreende. Pelo contrário, te aplaudem.

(...)
Minha cidadezinha se transforma num toldo

A chegada do circo durante a noite, na primeira vez que o vi, ainda criança, teve o cunho de uma aparição. Um mundo novo, não precedido por nada. Na noite anterior não existia e, na manhã seguinte, ali estava, diante da minha casa.
De saída, pensei se tratar de um barco desproporcional. Logo a invasão, pois foi isso, uma invasão, estava ligada com algo de marinho, uma pequena tribo pirata.
Então, além do medo, o fascínio pelo clown, surgido desse clima marinho, foi definitivo.
Ao clown principal, Pierino, vi na pequena fonte, no dia seguinte à estréia. Poder tocá-lo, ser ele!
Totó, seu irmão, era um clown branco pobre. Trabalhava com uma camisa, uma gravata e umas calças de fustão.
Fazer rir me pareceu algo extraordinário, uma sorte, um privilégio.
No espetáculo de domingo à tarde, sem o toldo, perto da cadeia, os presidiários gritavam atrás das grades. Totó se dirigiu duas vezes a eles. Como um clown branco, fazia outros augustos infelizes.
Daquele momento em diante, minha cidade se transformou insensivelmente num grande toldo. Sob esse estavam os augustos, junto com o prefeito e o chefe fascista local vestidos de clowns brancos.
A insatisfação que os clowns brancos traziam, também se podia achar em figuras dementes da cidade, sobretudo os augustos, mais que os clowns brancos. Essas figuras eram lembradas em casa como bichos-papões. "Se não comes o espinafre, vais ficar como o Giudizio" – dizia minha mãe.
Giudizio era justamente um augusto de circo. Um capote militar cinco ou seis vezes maior que o corpo, sapatos de borracha branca até no inverno, uma manta de cavalo nos ombros. Mas possuía sua dignidade, como o mais esfarrapado dos palhaços. Fitava um Isotta Fraschini resplendente e, com uma bagana nos lábios presa por um alfinete, afirmava: "Nem de presente, ficaria com ele."
Mas o clown branco, com seu encanto lunar, a elegância noturna, espectral, lembrava a fria autoridade de algumas monjas diretoras de asilos; ou a certos fascistas pretenciosos, com as brilhantes sedas negras, os alamares dourados, o rebenque (como a pazinha do clown), os capotões, o fez e os adornos militares, homens ainda jovens com os rostos pálidos dos capangas, dos notívagos.

(...)

O jogo do clown branco e do augusto

O mundo, não só na minha cidade, está povoado de clowns.
Quando estive em Paris para este filme, imaginei uma seqüência, que depois não rodei, em que, andando de táxi, de tanto falar nos clowns, podia-se vê-los na rua. Velhas ridículas com chapéus absurdos, mulheres com sacolas de plástico na cabeça para se proteger da chuva, chapéus e casacos que encolheram, homens de negócios com pastas típicas e um bispo, de aspeto embalsamado, sentado num auto junto ao nosso.
Se me imagino um clown, creio que sou um augusto. Mas também um clown branco ou, talvez, o diretor do circo. O médico de loucos que, por sua vez, enlouqueceu.
Continuemos a prova. Gadda era um belo augusto. Mas Piovene é um clown branco. Moravia, um augusto que desejaria ser branco. Melhor, é um Monsier Loyale, o diretor do circo, procurando conciliar as duas tendências e se manter num terreno objetivo, imparcial. Pasolini é um clown branco do tipo engraçado e sabichão. Antonioni é um augusto desses silenciosos, murchos, tristes. Parise pode ser tudo, um augusto mendigo, sempre meio bêbado, e também um clown branco impertinente, acerado, misógino, dos que esbofeteiam o augusto sem mesmo lhe dar uma explicação.
Picasso? Um augusto triunfal, presunçoso, sem complexos, que sabe fazer tudo e no fim é quem vence o clown branco. Einstein, um augusto sonhador, encantado, que não fala, mas no último instante tira, cândido, do bolso a solução do enigma proposto pelo atilado clown branco. Visconti, um clown branco de grande autoridade, cujo faustoso traje impressiona. Hitler, um clown branco. Mussolini, um augusto. Pacelli, um clown branco. Roncalli, um augusto. Freud, um clown branco. Jung, um augusto.
O jogo é tão certo que, se te vês por acaso ante um clown branco, tendes a ser um augusto, e vice-versa.
O chefe de produção da minha fita era um clown branco. Assim, os outros no convertíamos em augustos. Apenas a aparição de um clown branco mais ameaçador, o fascista, nos transformava também em clowns brancos, desde o momento em que lhe respondíamos, disciplinados, com a saudação romana.
Apenas a destrambelhada aparição de Giovannone, o augusto que assustava as camponesas lhes mostrando o membro como uma lebre morta, surpreso de conviver com esse inquilino que aceitava, nos mudava em clowns brancos quando lhe dizíamos: "Mas o que estás fazendo, Giovannone?"
Até na missa essa relação tinha lugar. Acontecia entre o sacerdote e alguns sacristães, que andavam entre os bancos da igreja interrrompendo o rito, com olhos apagados e alcoolizados, a pedir esmola."

Espio ao redor. Percebo augustos e brancos. E me volto para mim mesma e vejo: peleando e abraçados, um augusto e um branco.

E você é Branco ou Augusto ?

quarta-feira, março 12

EM BUSCA DE UMA LITERATURA INFANTIL DE QUALIDADE













EM BUSCA DE UMA LITERATURA INFANTIL DE QUALIDADE
por Léo Cunha

Introdução
Teatro e Literatura caminham sempre muito próximos, principalmente quando a ponte é o texto. Teatro é literatura. Literatura dramática. Um texto grávido de um espetáculo teatral, por isso considerado um texto intermediário que se completa no palco - ou no imaginário do leitor. Por isso o que Léo Cunha nos fala dos textos dos livros infantis se aplicam em sua totalidade ao texto teatral infantil.
carlos augusto nazareth

Mas o que vem a ser, afinal, a boa literatura infantil?

Existem hoje, no mercado brasileiro, mais de 5 mil livros catalogados como literatura infantil e mais 3 mil considerados juvenis. Além disso, centenas de novos títulos são publicados anualmente, por quase 100 editoras de todo o país. Será possível conhecer todo este acervo? Será viável? A resposta parece ser negativa, principalmente se considerarmos que várias das editoras não têm distribuição em todo o território nacional.

Mas outra pergunta parece ainda mais relevante: será preciso conhecer todos estes livros? Mais uma vez, a resposta é não. Afinal (como acontece aliás em toda e qualquer forma de arte) uma boa parte destes títulos é de qualidade discutível, em termos de qualidade literária, qualidade das ilustrações, produção gráfica, ideologia, etc... Mais importante que conhecer uma enorme quantidade de livros, portanto, é ser capaz de analisar e discutir a qualidade das obras a que se tem, efetivamente, acesso.

Mas o que vem a ser, afinal, a boa literatura infantil? É evidente que os critérios aqui apresentados têm um viés pessoal, mas, de modo geral, correspondem ao que a maioria dos teóricos vêm apontando.

a) Em primeiro lugar, o bom livro é aquele que aposta na inteligência da criança. É fundamental ter sempre em mente que a criança é menor somente em idade e tamanho. Quando se trata de inteligência, sensibilidade, criatividade, emoção, ela empata – e freqüentemente goleia – o adulto. É mais aberta e disponível para surpresas, abraça melhor as novas idéias. A menos que já tenha sido condicionada a engolir obras menos elaboradas, moralistas, ou toda esta produção em série que o mercado despeja e o adulto (pai, tio, professor) endossa.

Assim, o leitor deve desconfiar de livros que tentam explicar tudo (fatos, acontecimentos, mudanças, causas e conseqüências, etc) tim-tim por tim-tim para o leitor. Há boas chances de o autor estar duvidando da capacidade de compreensão e raciocínio da criança.

Como já foi lembrado no início deste capítulo se você achar o livro bobo, simplório, a criança quase certamente vai concordar.

b) O livro infantil deve ser Literatura – ou seja, Arte – antes de mais nada. Se um livro está mais preocupado em ensinar alguma coisa do que em contar uma história (ou tecer um poema), mau sinal. O autor deve estar confundindo Literatura com Pedagogia, com Catecismo, com Educação Moral e Cívica...

Existem muitos livros, catalogados como literatura infantil, onde a história serve de pretexto para o autor ensinar o leitor a escovar os dentes, evitar piolhos, plantar árvores, cuidar das baleias, honrar a bandeira nacional, etc e tal. É claro que todas estas atividades são dignas e nobres, mas ensiná-las não é dever do escritor. Fanny Abramovich, no livro “Literatura Infantil - gostosuras e bobices”, lembra que

"é através duma história que se podem descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outra ética, outra ótica... É ficar sabendo História, Geografia, Filosofia, Política, Sociologia, sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula... Por que, se tiver, deixa de ser literatura, deixa de ser prazer e passa a ser Didática.”

Didatismo e moralismo não combinam nem com a literatura nem mesmo com as perspectivas mais modernas da educação. O sócio-interacionismo, por exemplo, afirma que o professor não deve dar a resposta pronta ao aluno, e sim instigá-lo a encontrá-la. Além disso, na pré-escola, o professor deve brincar junto com o aluno, ser mais um na brincadeira e não chegar para resolver os conflitos, pois o aprendizado acontece através da ação e não de conselhos ou outro tipo de ensinamento disfarçado.

É automático o paralelo com o livro infantil. Ele não pode dar respostas prontas, morais-da-história. Da mesma forma, o livro deve ser fonte de prazer e descoberta, deve ser mais um na brincadeira, possibilitando à criança viajar, imaginar, refletir, criar.

O livro moralista ou com interesse pedagógico acaba se assemelhando a mais uma disciplina, mais um ensinamento, mais uma lição a ser aprendida obrigatoriamente e da maneira mais convencional.

Por outro lado, um livro não-moralista não significa um livro amoral, ou imoral. Não significa, também, que o autor deva ser omisso, ou não tenha o direito de expressar opiniões e pontos de vista. Em toda obra de arte, estará presente, inevitavelmente, a visão de mundo do artista.

c) Outra característica da boa literatura infantil é tratar a criança sem paternalismo, sem condescendência. Livros infantis recheados de inhos (a menininha bonitinha que estava brincando no parquinho...) pensam estar facilitando a leitura, tornando-a mais agradável, ou mais próxima do leitor, sem perceber que a própria criança não usa nem abusa desses expedientes.

Existem exceções, é claro, mas apenas para confirmar a regra. É o caso da linda história “A pontinha menorzinha do enfeitinho do fim do cabo da colherzinha de café”, onde Elvira Vigna usa os diminutivos reiterados com a intenção de revelar, pouco a pouco, os esforços da personagem principal para tratar de um passarinho.

O paternalismo também surge quando o livro pasteuriza uma questão difícil – seja a morte, a religião, a inveja, a ecologia, os palavrões – e a narra de maneira superficial, apresentando soluções simplistas, forçadas. Fanny Abramovich, na obra citada acima, sugere a melhor maneira de tratar qualquer assunto:

"sem medo, sem reservas, sem fugir das questões principais ou fazer de conta que não existem... Ou colocando num parágrafo – cheio de evasivas – mil explicações, às vezes até confusas ou atabalhoadas, não dando nem tempo para que a criança-leitora pense, elabore, resolva, se identifique, concorde, discorde, critique, negue, etc, a forma como tal ou qual questão está sendo explicada/proposta/vivida/ resolvida/lidada."

Já tive a oportunidade de conversar com muitos alunos e professores que leram meu livro “Pela estrada afora”, e um grande mérito que eles costumam perceber no texto é justamente a forma franca e verdadeira – mas não pesada – como tratei de temas difíceis e doloridos (a morte e o palavrão).

Não custa lembrar, ainda, que as tentativas de facilitação da história funcionam como facas de dois gumes. Livros fáceis costumam ser lidos rapidamente e esquecidos ainda mais depressa. O ecritor francês Paul Valéry repetia sempre que, em toda a sua vida, os livros que o marcaram apresentavam algum nível de dificuldade durante a leitura.

d) Nenhum livro tem obrigação de ser ousado, ou inovador. Mas, de forma geral, os melhores livros infantis, os que marcam, são aqueles que revelam uma preocupação do autor (e do ilustrador) em fugir ao óbvio, ao corriqueiro. Seja na linguagem, seja na escolha do tema, seja na estrutura narrativa, essa postura foge às fórmulas consagradas, aos modismos, e cria obras únicas.

Os modismos são uma verdadeira praga na indústria da literatura infantil. Se um livro com o tema “adolescente grávida” começa a fazer sucesso entre os jovens, várias editoras se sentem tentadas (ou mesmo obrigadas) a publicarem livros com o mesmo tema. Se a onda é “troca de correspondência”, logo surge uma enxurrada de livros do gênero. Isso se repete com os temas mais variados: separação dos pais, uso de drogas, ecologia, dinossauros, duendes, anjos, etc.

O problema é que estas fórmulas costumam se esgotar rapidamente, o interesse pelo assunto – que era efêmero – entra em baixa, é substituído por outros e, como resultado, o mercado fica abarrotado de livros menos ou mais parecidos sobre aquele tema. De modo geral, apenas uma minoria desses acaba resistindo ao tempo. Justamente os que possuem qualidade literária.

Ora, para pensar a literatura infantil como algo mais do que um produto da "indústria cultural", para considerá-la e desejá-la uma arte que crie obras razoavelmente duradouras, que alcancem alguma permanência no tempo, deve-se estar atento para estes livros cuja preocupação é claramente aproveitar um filão, entrar na onda.

Outro engano digno de nota é imaginar que a criança só se interessa por livros engraçados, divertidos. É claro que o humor facilita a aceitação de um livro, mas não pode virar receita de bolo. Na literatura infantil, mestres do humor como Sylvia Orthof, João Carlos Marinho, Edy Lima, Eva Furnari, Elvira Vigna, José Paulo Paes e Fanny Abramovich sabem que o humor, por si só, não basta: piadas são engraçadas, mas nem por isso são literatura. Uma boa história, ou um bom poema, precisam estar por trás da graça.

Por outro lado, um livro sério, profundo, tenso, ou mesmo triste, pode ser apreciado pelas crianças, mesmo que não satisfaça essa procura da criança pelo humor (ou outros desejos). Para isto, ele deve possuir outras qualidades literárias, seja a poesia, a fantasia, a ambigüidade poética, o estranhamento do óbvio. A literatura infantil brasileira tem exemplos e mais exemplos de autores que apostam freqüentemente nesta trilha: Bartolomeu Campos Queirós, Vivina de Assis Viana, Antônio Barreto, Joel Rufino, Mirna Pinsky, Sérgio Caparelli, Lino de Albergaria, Roseana Murray, Celso Sisto, Roger Mello, e outros tantos.

Este texto é um trecho do artigo “Literatura Infantil e Juvenil”, do livro “Formas e Expressões do Conhecimento”, editado pela Escola de Biblioteconomia da UFMG em 1998. Traz algumas considerações sobre os livros infantis no Brasil.

SITE OFICIAL DO ESCRITOR LEO CUNHA
http://www.leocunha.jex.com.br/

segunda-feira, março 10

NECESSITAMOS VOAR !


Para cada mulher forte cansada de aparentar debilidade,
há um homem débil cansado de parecer forte.

Para cada mulher cansada de ter que agir como tonta,
há um homem agoniado por ter que aparentar saber tudo.

Para cada mulher cansada de ser qualificada como “ser emotivo", há um homem a quem se tem negado o direito de chorar e ser “delicado”.

Para cada mulher catalogada como pouco feminina quando compete,
há um homem obrigado a competir para que não d se duvide de sua masculinidade .

Para cada mulher cansada de ser um objeto sexual,
há um homem preocupado com sua potência sexual.

Para cada mulher sem acesso a emprego ou a um salário satisfatório,
há um homem que deve assumir o sustento de outro ser humano.

Para cada mulher que desconhece os mecanismos do automóvel,
há um homem que não aprendeu os segredos da a arte de cozinhar.

Para cada mulher que dá um passo em direção à sua liberação,
há um homem que redescobre o caminho da liberdade.

A Humanidade possui duas asas:
Uma é a mulher, a outra é o homem.

Enquanto as asas não estiverem igualmente desenvolvidas.

A HUMANIDADE NÃO PODERÁ VOAR
NECESSITAMOS UMA NOVA HUMANIDADE
NECESSITAMOS VOAR !

Agora, mais do q que nunca, a causa da mulher é a causa de toda a HUMANIDADE.
B. Boutros Ghali.


Uma ótima semana!!
Val

domingo, março 9

Como conhecer o cérebro dos disléxicos

Artigo muito interessante!!!

Como conhecer o cérebro dos disléxicos - Vicente Martins
A dislexia é tema de novela da Globo. O papel de disléxica em "Duas Caras" cabe à atriz Bárbara Borges, que vive Clarissa, uma jovem que tem o sonho de ser juíza, mas sempre enfrentou dificuldades leitoras. Com o apoio da mãe, ela passará no vestibular para o curso de direito. Assim como Clarissa, os disléxicos são pessoas normais que, surpreendentemente, no período escolar, apresentam dificuldades em leitura e, em geral, problemas, também, com a ortografia e a organização da escrita. Como ajudar pais, especialmente mães, de disléxicos? O presente artigo mostra como os pais, docentes e psicopedagogos, conhecendo o cérebro dos disléxicos, poderão ajudá-los a ler e compreender o texto lido. A leitura, como sabemos, seja para disléxicos ou não, é uma habilidade complexa. Não nascemos leitores ou escritores. O módulo fonológico é o único, no genoma humano, que não se desenvolve por instinto. Realmente, precisamos aprender a ler, escrever e a grafar corretamente as palavras, mesmo porque as três habilidades lingüísticas são cultural e historicamente construídas pelo homo sapiens.
A leitura só deixa de ser complexa quando a automatizamos. Como somos diferentes, temos maneiras diferentes de reconhecer as palavras escritas e, assim, temos diferenças fundamentais no processo de aquisição de leitura durante a alfabetização. Esse automatismo leitor exige domínios na fonologia da língua materna, especialmente a consciência fonológica, isto é, a consciência de que o acesso ao léxico (palavra ou leitura) exige conhecimentos formais, sistemáticos, escolares, gramaticais e metalingüísticos do princípio alfabético do nosso sistema de escrita, que se caracteriza pela correspondência entre letras e fonemas (vogais, semivogais e consoantes). A experiência de uma alfabetização exitosa é importante para nossa educação leitora no mundo povoado de letras, literatura, poesia, imagens, ócones, símbolos, metáforas e diversidade de mídias e textos.
A compreensão do valor da leitura em nossas vidas, especialmente, na sociedade do conhecimento, é base para desmistificarmos o conceito inquietante da dislexia e do cérebro dos disléxicos. A dislexia não é doença, mas compromete o acesso ao mundo da leitura. A dislexia parece bloquear o acesso de crianças especiais à sociedade letrada. Deixa-os, então, lentas, dispersas, agressivas e em atraso escolar. Os docentes, pais e psicopedagogos que lidam com disléxicos devem seguir, então, alguns princípios ou passos para atuação eficiente com aqueles que apresentam dificuldades cognitivas na área de leitura, escrita e ortografia. Vamos descrever cada um deles a seguir.
O primeiro princípio ou passo é o de se começar pela descrição e explicação da deslexia. Uma criança com deficiência mental, por exemplo, não pode ser apontada como disléxica, porque a etiologia de sua dificuldade é orgânica, portanto, de natureza clínica e não exclusivamente cognitiva ou escolar. Claro, é verdade que um adulto, depois de um acidente vascular cerebral, poderá vir apresentar dislexia. Nesse caso, trata-se, realmente, de uma dislexia adquirida, de natureza neurolingüística e que só com o apoio médico é que podemos intervir, de forma plurisdisciplinar e, adequadamente, nesses casos.
Assim, tanto para a dislexia desenvolvimental (também chamada verdadeira porque uma criança já pode herdar tal dificuldade dos pais) como para a dislexia adquirida (surge após um AVC ou traumatismo), importante é salientar que os docentes, pais e psicopedagogos, especialmente estes últimos, conheçam melhor os fundamentos psicolingüísticos da linguagem escrita, compreendendo, assim, o processo aquisição da habilidade leitora e os processos psicológicos envolvidos na habilidade. Realmente, sem o conhecimento da arquitetura funcional, do que ocorre com o cérebro dos disléxicos, durante o processamento leitor, toda intervenção corre risco de ser inócua ou contraproducente.
Os processos leitores que ocorrem nos cérebros dos leitores, proficientes ou disléxicos, podem ser descritos através de quatro módulos cognitivos da leitura: (1) módulo perceptivo , como o nome sugere, refere-se à percepção, especialmente a visual, importante fator de dificuldade leitora; (2) módulo léxico , nesse caso, refere-se, por exemplo, ao traçado das letras e a memorização dos demais grafemas da língua (por exemplo, os sinais diacríticos como til, hífen etc.); (3) módulo sintático , este, tem a ver com a organização da estruturação da frase, a criança apresenta dificuldade de compreender como as palavras se relacionam na estrutura das frases (4) módulo semântico , este, diz respeito, pois, ao significado que traz as palavras nos seus morfemas (prefixos sufixos etc.)
Não é uma tarefa fácil conhecer o cérebro dos disléxicos. Por isso, um segundo passo é o aprofundamento dos fundamentos psicolingüísticos da lectoescrita. A abordagem psicolingüística (associando a estrutura lingüística dos textos aos estados mentais do disléxico) é um caminho precioso para o entendimento da dislexia, uma vez que apresenta as conexões existentes entre questões pertinentes ao conhecimento e uso de uma língua, tais como a do processo de aquisição de linguagem e a do processamento lingüístico, e os processos psicológicos que se supõe estarem a elas relacionados. Aqui, particularmente é bom salientar que as dificuldades lectoescritoras são específicas e bastante individualizadas, isto é, os disléxicos são incomuns, diferentes, atípicos e individualizados com relação aos demais colegas de sala de aula bem como aos sintomas manifestados durante a aquisição, desenvolvimento e processamento da linguagem escrita.
Nessas alturas, todos que atuam com os especiais devem pensar o que pode estar ocorrendo com os disléxicos em sala de aula. Os métodos de alfabetização em leitura levam em conta as diferenças individuais? Os métodos pedagógicos, com raras exceções, se propõem a ser eficientes em salas de crianças ditas normais, mas se tornam ineficientes em crianças especiais. Por isso, cabe aos docentes, em particular, e aos pais, por imperativo de acompanhamento de seus filhos, entender melhor sobre os métodos de estudos adotados nas instituições de ensino. Os métodos de alfabetização em leitura são determinantes para uma ação eficaz ou ineficaz no atendimento educacional especial aos disléxicos, disgráficos e disortográficos. A dislexia é uma dificuldade específica em leitura, e como tal, nada mais criterioso e necessário do que o entendimento claro do processo da leitura ou do entendimento da leitura em processo.
Não menos importantes do o entendimento dos métodos de leitura, adotados nas escolas, devem ser objeto de preocupação dos educadores, pais e psicopedagogos, as questões conceituais, procedimentais e atitudinais sobre a dislexia, disgrafia e disortografia. O que pensam as escolas sobre as crianças disléxicas? O que sabem seus professores e gestores educacionais sobre dislexia? Mais do que simples rótulos das dificuldades de aprendizagem da linguagem escrita, a dislexia é uma síndrome ou dificuldade revestida de conceitos lingüísticos, psicolingüísticos, psicológicos, neurológicos e neurolingüísticos fundamentais para os que vão atuar com crianças com necessidades educacionais especiais. Reforça-se, ainda, essa necessidade de compreender, realmente, o aspecto pluridisciplinar da dislexia, posto que muitas vezes, é imperiosa a interlocução com outros profissionais que cuidam das crianças, como neuropediatras, pediatras, psicólogos escolares e os próprios pais das crianças.
Na maioria dos casos de dislexia, disgrafia e disortografia, a abordagem mais eficaz no atendimento aos educandos é a psicopedagógica (ou psicolingüística, para os lingüistas clínicos) em que o profissional que irá lidar com as dificuldades das crianças aplicará à sua prática educacional aportes teórico-práticos da psicopedagogia clínica ou institucional aliados à pedagogia e à psicologia cognitiva e à psicologia da educação. São os psicolingüistas que se voltam para a explicação da dislexia e suas dificuldades correlatas (disgrafia, dislexias). Hipóteses como déficits de memória e do princípio alfabético (fonológico) são apontados, pelos psicolingüistas, como as principais causas da dislexia.
O terceiro passo para os que querem entender mais sobre dislexia é dar especial atenção à avaliação das dificuldades lectoescritoras. A avaliação deve ser trabalhada como ato ou processo de coletar dados a fim de se melhor entender os pontos fortes e fracos do aprendizado da leitura, escrita e ortografia dos disléxicos, disgráficos e disortográficos. Enfim, atenção dos psicopedagogos deve dirigir-se à avaliação das dificuldades em aquisição da linguagem escrita. Nesse sentido, um caminho seguro para a avaliação da dislexia, disgrafia e disortografia é pela via do reconhecimento da palavra. O reconhecimento da palavra começa pela identificação visual da palavra escrita. Depois do reconhecimento da palavra escrita, deve ser feita avaliação da compreensão leitora, especialmente no tocante à inferência textual, de modo que levando a efeito tais procedimentos, ficarão mais explícitas as duas etapas fundamentais da leitura e de suas dificuldades: decodificação e compreensão leitoras.
O quarto e último passo para o desenvolvimento de estratégias de intervenção nos educandos com necessidades educacionais especiais em leitura, disgrafia e disortografia é o de observar qual dos módulos (perceptivo, léxico etc.) está apresentando déficit no processamento da informação durante a leitura. Portanto, é entendermos como o cérebro dos disléxicos funciona durante o ato leitor . Neste quarto passo, é imprescindível um recorte das dificuldades leitoras. A dislexia não é uma dificuldade generalizada de leitura, ou seja, não envolve todos os módulos do processo leitor.
Descoberto o módulo que traz carência leitora, através de testes simples como ditado de palavras familiares e não-familiares, leitura em voz alta, questões sobre compreensão literal ou inferência textual, será mais fácil para os psicopedagogos, por exemplo, atuar para compensar ou sanar, definitivamente, as dificuldades leitoras que envolvem, por exemplo, aspectos fonológicos da decodificação leitora e da codificação escritora: o princípio alfabético da língua materna, isto é, a correspondência letra-fonema ou a correspondência fonema-letra.
Se o que está afetado refere-se ao campo da compreensão, os psicopedagogos poderão propor atividades com conhecimentos prévios para explorar a memória de longo prazo dos disléxicos que se baseia no conhecimento da língua, do assunto e do mundo (cosmovisão). Quando estamos diante de crianças disléxicas com as dificuldades relacionadas com a compreensão estamos, decerto, diante de casos de leitores com hiperlexia, parafasia, paralexia ou, se estão, também, superpostas dificuldades em escrita, ao certo, estaremos diante de escritores também hiperlexia, parafasia, paragrafia, termos clínicos, mas uma vez explicados, iluminarão os psicopedagogos que atuam com disléxicos e disgráficos. A paralexia é dificuldade de leitura provocada pela troca de sílabas ou palavras que passam a formar combinações sem sentido. A parafasia é distúrbio da linguagem que se caracteriza pela substituição de certas palavras por outras ou por vocábulos inexistentes na língua. A ciência e a terminologia, realmente, apontam, mais, claramente, as raízes dos problemas ou dificuldades na leitura, escrita e ortografia.

segunda-feira, março 3



Recebi, gostei e postei!!!

"Numa manhã de Outono, ainda bem cedo pela alvorada
uma amazona passeia pela praia manipulando sua energia.
Os elementos da natureza se reunem neste local de magia
permitindo uma integração, uma união Natureza-Homem."
Uma semana radiante de amor...
Val

quarta-feira, fevereiro 27

Andarilha...


"...e eu que andei tão distante me encontrei em mim."
Esse verso tem um valor especial, num tempo em que fui andarilha dentro de mim!!!
Aliás, continuo andarilha...
Um dia radiante de amor e paz!!!

quarta-feira, fevereiro 20

Renúncia na ilha



Para historiador, Fidel passou de ‘libertador a ditador’
O líder cubano Fidel Castro teve uma trajetória política semelhante à de líderes latino-americanos do século 19, como José de San Martín e Símon Bolívar, na opinião do historiador argentino Jose García Hamilton. Assim como os dois “libertadores da América”, Fidel tentou se eternizar no poder depois de ter liderado uma campanha de libertação, diz Hamilton.

“San Martín e Bolívar chegaram ao poder graças à libertação dos povos, mas depois tentaram se perpetuar no cargo”, disse o autor de livros sobre Bolívar e San Martín. Para o historiador, Fidel “virou um ditador pior do que seu principal inimigo, Fulgêncio Batista”, em referência ao líder do regime derrubado pela Revolução Cubana. A diferença, continua Hamilton, é que Fidel bateu recorde de tempo no poder.

“Nenhum deles, nem mesmo Franco, permaneceu tantos anos na presidência”, afirmou, referindo-se ao general espanhol Francisco Franco, que governou a Espanha entre 1939 e 1975. San Martín, libertador da Argentina, do Chile e do Peru, exerceu sua liderança entre 1812 e 1826. Bolívar esteve cerca de 20 anos no poder em uma trajetória similar que foi de 1810 a 1830.

Com o anúncio de sua renúncia nesta semana, Castro encerrará quase cinco décadas no comando da política cubana.

Fidel e Che

O historiador acredita, no entanto, que, ao menos inicialmente, Fidel Castro “libertou” Cuba da ditadura de Batista.

“Naquele momento, suas ações foram vistas com bons olhos pela comunidade internacional”, disse. Foi logo depois, lembra Hamilton, do início de mudanças na política de diferentes países da região.

Getúlio Vargas se suicidou em 1954, Perón foi derrubado do poder em 1955, por uma revolta militar, Perez Jímenez, na Venezuela, caiu em 1958, e Fidel tomou o poder, em Havana, em 1959.

Já o historiador e psicanalista Pacho O’Donnell, autor da biografia “Che”, sobre o ex-guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara, prefere não fazer comparações entre personagens de diferentes períodos históricos, mas diz acreditar que o paralelo mais próximo seja o próprio ex-companheiro de revolução.

A diferença entre Fidel e Che, que estiveram unidos na decisão de derrubar a ditadura de Fulgêncio Batista, em 1959, está, segundo O’Donnell, no fato de “o cubano ter apostado na política, e o argentino, na epopéia”.

Ou seja, um entrou para a história e o outro virou mito –o rosto de Che Guevara está, por exemplo, nas passeatas e protestos de várias partes do mundo, representando o desejo de igualdade social.

O’Donnell recorda que foi Raúl Castro quem apresentou Che Guevara a Fidel Castro, como contou o próprio ex-guerrilheiro argentino em uma carta enviada a sua família, em julho de 1955, quatro anos antes da queda da ditadura de Batista.

“Guevara e Raúl Castro representaram, no início, o setor mais radicalizado da Revolução Cubana. Eles eram os únicos que se reconheciam, publicamente, como marxistas”, recordou.

“Autoritarismo”

Autor de livros sobre o general e “libertador” José San Martín (”Don Jose”) e sobre o também general e igualmente conhecido como “libertador” Simón Bolívar (”Simón”), García Hamilton entende que Fidel também é o único a deixar o irmão no poder –mesmo que temporariamente.

Raúl Castro está no poder na ilha desde meados de 2006 e tem chances de permanecer no posto após as eleições da Assembléia Nacional, no próximo dia 24.

Ele cita, no entanto, três outros casos de nepotismo na história recente da América Latina. François Duvalier, no Haiti, deixou o cargo para o filho, Jean Claude Duvalier. A cadeira de Anastasio Somoza, na Nicarágua, foi ocupada pelo filho, Luis Somoza. Na Argentina, o ex-presidente Juan Domingo Perón morreu no cargo, deixando a Presidência para sua mulher, Isabel Perón.

Tanto Hamilton como O’Donnell reconheceram que o líder cubano, a despeito da opinião que se tenha sobre ele, é um dos principais personagens políticos da América Latina –e talvez do mundo– no século 20 e início do século 21.

Folha Online

terça-feira, fevereiro 19

Blog abandonado??

Não abandonei meu blog!!!
Apenas, não estava conseguindo entrar!!
Troca de senha, maior confusão...

Uma ótima terça-feira!

domingo, janeiro 13

Palavras preconizadas por Frei Betto

Recebi mais esta pérola da minha amiga Lucineide e socializo com vocês!!

"Neste ano-novo, faz-te novo, reduz a tua ansiedade, cultiva flores no canteiro da alma, rega de ternura teus sentimentos mais profundos, imprime a teus passos o ritmo das tartarugas e a leveza das garças.

Não te mires nos outros; a inveja é um cancro que mina a auto-estima, fomenta a revolta e abre, no centro do coração, o buraco no qual se precipita o próprio invejoso.

Mira-te em ti mesmo, assume teus talentos, acredita em tua criatividade, abraça com amor tua singularidade. Evita, porém, o olhar narciso. Sê solidário; ao estender aos outros as tuas mãos estarás oxigenando a própria vida. Não sejas refém de teu egoísmo.

Cuida da língua. Não professes difamações e injúrias. O ódio destrói quem odeia, não o odiado. Troca a maledicência pela benevolência. Compromete-te a expressar ao menos cinco elogios por dia. Tua saúde espiritual agradecerá.

Não desperdices tua existência hipnotizado pela TV ou navegando aleatoriamente pela internet, naufragado no turbilhão de imagens e informações que não consegues transformar em síntese cognitiva. Não deixes que a espetacularização da mídia anule tua capacidade de sonhar e te transforme em consumista compulsivo. A publicidade sugere felicidade e, no entanto, nada oferece senão prazeres momentâneos.

Centra tua vida em bens infinitos, nunca nos finitos. Lê muito, reflete, ousa buscar o silêncio neste mundo ruidoso. Lá encontrarás a ti mesmo e, com certeza, um Outro que vive em ti e quase nunca é escutado.

Cuida da saúde, mas sem a obsessão dos anoréxicos e a compulsão dos que devoram alimentos com os olhos. Caminha, pratica exercícios aeróbicos, sem descuidar de acarinhar tuas rugas e não teme as marcas do tempo em teu corpo. Freqüenta também uma academia de malhar o espírito. E passa nele os cremes revitalizadores da generosidade e da compaixão.

Não dês importância ao que é fugaz, nem confundas o urgente com o prioritário. Não te deixes guiar pelos modismos. Faz como Sócrates, observa quantas coisas são oferecidas nas lojas que tu não precisas para ser feliz. Jamais deixe passar um dia sem um momento de oração. Se não tens fé, mergulha-te em tua vida interior, ainda que por apenas cinco minutos.

Não te deixes desiludir pelo mundo que te cerca. Assim o fizeram seres semelhantes a nós. Saiba que és chamado a transformá-lo. Se tens nojo da política, receberás a gratidão dos políticos que a enojam. Se és indiferente, agradecerão os que a ela se apegam. Se reages e atuas, haverão de temer-te, porém a democracia se fará mais participativa.

Lembra que, neste ano, teremos eleições municipais. Põe no papel o que exiges de um vereador e de um prefeito. E faz com que teus candidatos o assinem. Convoca-os para debate em grupo, e examina como encaram os pobres e a pobreza. Não desperdices teu voto elegendo quem, no dia seguinte, te dará as costas, obcecado pelas mordomias do poder e seduzido pelas maracutaias que promovem enriquecimento fácil.

Em 2008 celebraremos o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Pratica-a em tua casa, com teus filhos e tua (teu) parceira(o). Não trate tua faxineira como uma semi-escrava. Remunera-a com um salário digno e propicia-lhe melhoria da qualidade de vida.

Arranca de tua mente todos os preconceitos e, de tuas atitudes, todas as discriminações. Sê tolerante, coloca-te no lugar do outro. Todo ser humano é o centro do Universo e morada viva de Deus. Antes, indaga a ti mesmo por que provocas em outrem antipatia, rejeição, desgosto. Reveste-te de alegria e descontração. A vida é breve e, de definitivo, só conhece a morte.

Faz algo para preservar o meio ambiente, despoluir o ar e a água, reduzir o aquecimento global. Não utilizes material não-biodegradável. Trata a natureza como aquilo que ela é de fato: tua mãe. Dela vieste e a ela voltarás; vives do beijo que te dá continuamente na boca: ela te nutre de oxigênio e alimentos.

Guarda um espaço em teu dia-a-dia para conectar-te com o Transcendente. Deixa que Deus acampe em tua subjetividade. Aprende a fechar os olhos para ver melhor."
Feliz 2008!

Frei Betto"

sábado, janeiro 12

domingo, janeiro 6


Obrigada a todas as pessoas que ao longo de 2007 compartilharam um pouco de seu tempo, suas experiências e suas energias comigo.
Que em 2008 possamos novamente viver bons momentos, celebrando a vida, a liberdade e alegria de ser o que se é, sem medo, sem amarras, sempre com muito amor e respeito por toda forma de vida.
Eu desejo que possamos, sobretudo, orientar nossos corações e atitudes para a PAZ, pois garantindo isso, teremos força para buscar todo o resto.
Que seja 2008 um ano de tolerância, ética, solidariedade, consciência sócio-ambiental e que possamos, dentro da Cultura da Paz, contribuir para um planeta melhor e mais justo para todos, pois como já disse Drummond, para termos um feliz ano novo, a gente precisa merecê-lo.


Com carinho, Valquíria Bottaro

segunda-feira, dezembro 24

DICAS PARA UM NATAL ECOLÓGICO!!!





Presentes, em geral, vem em belas embalagens, que costumam ser rasgadas e imediatamente dispensadas. Basta pensar em milhões de famílias fazendo o mesmo, para deduzir quanto lixo uma noite natalina pode produzir. A compra dos presentes nem sempre é bem planejada. Mas o consumidor é poderoso. Se todos comprassem só presentes ambientalmente amigáveis, as indústrias deixariam de fabricar produtos prejudiciais e o comércio deixaria de vendê-los. Siga estas dicas e promova um Natal Ecologicamente Sustentável. Sem esquecer que mais importante de que comprar é confraternizar.
COMPRANDO PRESENTES
* A primeira dica é analisar suas compras. Assim você evita desperdício. Há quem chame este método de preciclagem.
* Faça uma lista antes de sair de casa. Coloque os nomes de quem você vai presentear e, ao lado, o tipo de presente que a pessoa gostaria de ganhar. Depois, analise cada opção e escolha o que for ambientalmente correto.
* Para selecionar um presente ambientalmente amigável, verifique a matéria prima usada para produzi-lo. O produto não deve conter substância perigosa para a saúde, ou componentes retirados de espécies ameaçadas, como mogno.
* Outro ponto é o método da produção. Só aceite produtos cuja elaboração não usou de crueldade para com animais. Também pense nas pessoas. Não compre, se a fabricação do objeto abusou da mão de obra infantil ou feriu os direitos trabalhistas.
* Dê preferência a produtos artesanais.
* Avalie quem está vendendo. Adquirindo produtos de uma entidade ecológica, por exemplo, você beneficia projetos ambientais por ela desenvolvidos.
* Agora, analise como o presente será usado. Por exemplo, criança gosta de brinquedo. Escolha um que não precisa de pilhas. Assim você incentiva a criatividade e a coordenação motora. E pilha polui o ambiente, durante e depois da fabricação.
* Eletrodomésticos devem ter um selo informando o consumo de eletricidade. Se esta for sua opção de presente, aproveite para comprar um produto que gasta menos energia. É bom para o bolso de quem ganha e para o ambiente.
* Embalagem é bonita, mas pode gerar montanhas de lixo, na forma de papel de presente e fitas. Se o pacote não puder ser reutilizado, esqueça. É dinheiro que vira poluição.
FAÇA PRESENTES

* Você não precisa comprar. Pode fabricar seus presentes. Que tal preparar uma receita culinária por exemplo reaproveitando folhas e talos de hortaliças num exclusivo suflê para a ceia dos amigos? Biscoitos e docinhos também fazem o maior sucesso.
* Suas plantas se reproduziram muito na primavera? Faça novos vasos bem caprichado para presentear os amigos. Custa pouco além de ser presente simpático e duradouro.
* Outra boa idéia é inventar seu próprio cartão. Por que não fazer uma colagem com folhas secas? O charme fica ainda maior se a base for papel reciclado.
* E como a natureza é a forma mais barata e sincera de presentear, olhe à sua volta. Que tal usar flores e folhas secas para compor um belo quadro? Com uma moldura simples, você terá um presente bem seu.
ÁRVORE DE NATAL
* Não sacrifique um pinheiro vivo para enfeitar seu lar. Escolha árvore com raiz, se puder replantar depois.
* Outra idéia é colocar enfeites natalinos nas plantas de sua casa. Pode ficar lindo!
* Também dá para usar bolas e fitas coloridas, num arranjo que aproveite galhos já caídos, para compor uma árvore estilizada decorando sua sala.
CEIA ECOLÓGICA
* Evite os enlatados e alimentos com embalagem demais. Prefira os produtos a granel, que são mais frescos e mais baratos.
* Não se esqueça de levar sua sacola quando for às compras, para evitar aquele monte de plástico que as lojas oferecem para guardar suas compras.
* Se o produto industrializado é essencial para a ceia, não arrisque a saúde dos que participarem dela. Ao comprar, verifique o prazo de validade do produto. E só adquira, se estiver exposto em local adequado para a sua conservação.
* Não use copos ou talheres descartáveis em sua festa. Também recuse toalhas e guardanapos descartáveis. Podem parecer práticos, mas poluem o meio ambiente. É o contrário de um presente para a mãe-natureza.
* Dica final: papel toalha e guardanapos fazem parte daqueles papeis que, na fabricação, foram alvejados com cloro. Cloro libera dioxina na atmosfera, que é um gás cancerígeno. Recupere os hábitos que serviram a seus pais e avós. Use guardanapos e toalhas de pano. Além de tudo, são mais chiques!
OS 3 R NO NATAL
* Ao ganhar um presente, não rasgue o pacote. Abra cuidadosamente e separe a embalagem. Procure reutilizá-la. Por exemplo, um belo papel pode servir para encapar um livro. Uma caixa pode ser usada para guardar objetos.
* Se não der para reutilizar a embalagem do presente que ganhou, faça a separação. Num monte, junte os papéis. Em outro, coloque os plásticos. Num terceiro, deixe o que for vidro e o que for metal. Depois, encaminhe estes materiais para quem recicla.
* Mas o melhor mesmo, é evitar desperdício. Recuse embalagem que não seja reutilizável, na hora de comprar o presente. E aproveite para, antes da festa, discutir e divulgar esta idéia com quem for participar. Afinal, não desperdiçar pode ser o maior presente de Natal para o meio ambiente.
(fonte: RedeAIPA)

Boas festas e que o espírito natalino envolva seu coração de paz e amor!!!

domingo, dezembro 16

Meu nome é Rádio













Outro dia socializando idéias com minha amiga Rose, ela indicou-me um filme, o qual eu tive o prazer de assistí-lo hoje à tarde!!
Vale a pena, trata sobre como encaramos as pessoas "diferentes" em nossa sociedade e como às vezes deixamos de aprender com a diversidade.
Leia a sinopse do filme e se tiveres oportunidade, loque o DVD!!


MEU NOME É RÁDIO
O filme “Meu nome é Rádio” conta a história de um jovem negro com deficiência mental chamado James Robert Kennedy (interpretado por Cuba Gooding Jr), que vive numa pequena cidade da Carolina do Sul e passa parte do seu dia andando pelas ruas com um carrinho de supermercados cheio de objetos que encontra pelas ruas. Seu apelido é “Rádio” por estar sempre ouvindo um desses aparelhos.
Rádio tinha o hábito de passar perto de uma escola e ficar observando as aulas do treinador de futebol americano Sr. Jones (Ed Harris). Numa dessas visitas, a bola do jogo sai dos arredores da escola e é encontrada por Rádio que ao invés de devolvê-la, a guarda em seu carrinho cheio de quinquilharias. Com raiva dessa atitude, no dia seguinte, os alunos de Jones pegam Rádio e o trancam em um quarto escuro amarrando seus pés e mãos. Jones o encontra desesperado e nesse momento começa a relação de confiança entre o jovem e o professor.
O treinador faz uso de sua autoridade e pune os alunos que maltrataram Rádio com um treino de tirar o fôlego, além de convidar Rádio para ajudá-lo nos treinos. O professor sofre uma forte pressão da comunidade escolar por querer ajudar um jovem negro com deficiência mental. Os pais dos alunos ficam indignados por seus filhos estarem convivendo com uma pessoa diferente dos padrões por eles estabelecidos, no início a diretora da escola também se coloca contra a presença de Rádio, por entender que ele poderia colocar em risco a vida dos outros alunos além de duvidar se a escola realmente poderia ajudá-lo. A mãe de Rádio, a Sra. Maggie (Epatha Merkerson) também fica desconfiada da ajuda do treinador Jones.
Contra todos e contra tudo, o professor sente uma imensa necessidade de ajudar aquele garoto, que se encontra à margem da sociedade por ser incompreendido. Ele enfrenta a comunidade escolar, a diretora, o supervisor de ensino e sua própria família que sente ciúme do garoto. A relação dos dois personagens é algo tão forte que nenhum obstáculo poderá separá-los.
Com o passar do tempo, Rádio começa a se desenvolver na Escola e torna-se o mascote do time, além de ser uma espécie de “faz tudo” na instituição de ensino. Ele conquista a confiança dos alunos, dos funcionários e principalmente constrói a sua própria autoconfiança. Sua mãe entende as verdadeiras razões do treinador Jones e estabelece uma parceria saudável com ele. A família de Jones compreende que não há competição entre ela e Rádio e sim uma agregação de valores ao relacionamento entre Jones e Rádio.
O filme tem momentos marcantes como a morte da mãe de Rádio e situações de preconceito na escola. Discute a questão da autonomia de pessoas com deficiência mental e sua participação efetiva na sociedade. Propõe uma reflexão acerca das relações humanas e sua diversidade. Constrói um universo dicotômico em que a beleza e a bondade do ser humano se contrapõe ao egoísmo e ao desconhecimento sobre a vida de pessoas com necessidades especiais.
Por ser embasado numa história real, “Meu nome é Rádio” estabelece diferentes pontos de vista para o expectador, pois cada personagem se posiciona de uma forma com relação à presença de Rádio na escola. E são esses diversos pontos de vista que ilustram de forma clara como a sociedade trata as diferenças entre as pessoas.
“Meu nome é Rádio” é um exemplo claro da força que o meio exerce na formação social do ser humano. Conta a história de um garoto que teria tudo para estar excluído de sua comunidade, sem função social e sem vontade de viver. Demonstra que com a ajuda de pessoas sensíveis e um pouco de flexibilidade é possível a construção de relações verdadeiras entre todas as pessoas, pois não foi Rádio o único a ser ajudado. Todas as pessoas que tiveram o prazer de sua convivência se transformaram em pessoas melhores com sua presença.

REFERÊNCIA FILMOGRÁFICA
MEU NOME É RÁDIO. Direção de Michael Tollin. Columbia Tristar Film. Estados Unidos: 2003. 1DVD (109 min.), color, legendado.

Fonte: Net Educação

quinta-feira, dezembro 6

LINDO TEXTO DE PABLO NERUDA



Quem morre?




Morre lentamente quem não viaja,quem não lê ,quem não ouve musica,quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destroi o seu amor proprio ,quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito ,repetindo todos os dias o mesmo trajeto,quem não muda de marca , não se arrisca a vestir uma nova cor , ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televião o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão,quem prefere o negro sobre o branco,e os pontos sobre os iss em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho nos olhos, sorrisos dos bocejos,corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho , quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva que cai incessante

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo , não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não respondem quando lhe indagam sobre algo
que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.

SOMENTE A PERSEVERANÇA FARÁ COM QUE CONQUISTEMOS UM ESTÁGIO ESPLENDIDO DE FELICIDADE.

Pablo Neruda

Um linda quinta-feira!!!

quarta-feira, novembro 28

Quando a gente pensa que já viu de tudo no Brasil...



Governadora admite ser comum mulher em cela de homens
A administradora paraense, Ana Júlia Carepa, confessou que prática ocorre no estado há algum tempo


SÃO PAULO (Folhapress) - A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), admitiu ontem que casos como o da adolescente que ficou presa por quase um mês na mesma cela com 20 homens, na cidade de Abaetetuba, ocorrem no estado “há algum tempo”. “Essa é uma prática lamentável, que, infelizmente, já acontece há algum tempo. Mas é bom tornar tudo isso público, para que toda a sociedade se mobilize e possamos acabar com essas práticas. O sistema de segurança vai investigar com rigor todas as denúncias”, disse a governadora, em nota publicada no site do governo.


Há pelo menos 11 anos o Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade (MMCC), entidade de defesa dos direitos da mulher, denuncia casos semelhantes no interior do estado. Em 1996, o movimento denunciou o caso da presa Salma Simas, então com 40 anos, que dividiu uma cela com outros 35 homens durante sete meses. Simas, presa sob acusação de matar o marido, afirmou na época que foi estuprada diversas vezes na cadeia. Uma primeira sindicância aberta para apurar o caso foi arquivada. A justificativa para colocá-la na cela com os presos foi a mesma dada agora: a falta de cela para mulheres na delegacia. Ela foi inocentada do crime depois. (Folhapress)

Quando a gente pensa que já viu de tudo no Brasil...

domingo, novembro 18

Mais uma do Boff...

Depois de um tempo sem aparecer por aqui...
Hoje trouxe mais uma do Leonardo Boff, garimpando pela net...surrupiei e estou postando aqui no meu blog!!!
Uma boa reflexão!!!!


Cada um hospeda dentro de si uma águia. Sente-se portador de um projeto infinito. Quer romper os limites apertados de seu arranjo existencial. Há movimentos na política, na educação e no processo de mundialização que pretendem reduzir-nos a simples galinhas, confinadas aos limites do terreiro. Como vamos dar asas à águia, ganhar altura, integrar também a galinha e sermos heróis de nossa própria saga?

Leonardo Boff

domingo, novembro 4

Confraria do abraço!!

Gente!! É maravilhoso fazer parte dessa Irmandade, entre você também, não custa nada, apenas abrir os braços e o coração!!!

Você já ganhou um abraço hoje?
Não?
Então, você acaba de ser abraçado neste momento!!!

Existe algo em um simples abraço que sempre aquece o coração e dá-nos boas vindas ao voltarmos para casa, e torna mais fácil a partida.
Um abraço é uma forma de dividir as alegrias e tristezas que passamos, ou só uma forma para amigos dizerem que se gostam porque,
simplesmente, você é você.

Abraços significam amor para alguém com quem realmente nos importamos...
Um abraço é algo espantoso...
é a forma perfeita de mostrar o amor que sentimos, mas que
palavras não podem dizer.
É engraçado como um simples abraço faz-nos sentir bem...
em qualquer lugar ou língua...
É sempre compreendido...
E abraços não precisam de equipamentos, pilhas ou baterias especiais...
É só abrir os braços e o coração ...

Eu não falei!! Bem-vindo(a)!!!

sexta-feira, novembro 2

Pensamento do dia!!!

Só minha amiga Lina para me enviar esta pérola ......




domingo, outubro 21

Todo dia é dia do professor!!!




Dodecálogo do Orientador Montessoriano

1. Cuidar do ambiente;


2. Indicar o uso dos objetos e dos materiais de maneira clara e precisa;


3. Ter uma conduta ativa quando coloca a criança em relação com o ambiente; assumir uma conduta passiva, quando a relação é estabelecida;


4 Observar atentamente a criança, a fim de que consiga perceber o esforço que ela faz na busca do conhecimento dos objetos que formam o ambiente ou quando ela necessita de apoio e companhia;


5 Atender quando chamado e reordenar o ambiente quando necessário;


6. Escutar tudo o que a criança tem vontade de dizer;


7. Respeitar quem trabalha, sem jamais interromper nem interrogar;


8. Respeitar quem erra, sem jamais dizer ou corrigir diretamente;


9. Respeitar a criança que repousa ou que observa outras trabalhando, não chamar sua atenção ou obrigá-la a trabalhar;


10. Ser incansável na tentativa de oferecer trabalho a quem o rejeita, a quem não aprendeu ou a quem, sistematicamente, erra;


11. Fazer notar sua presença a quem o procura, a quem necessita, mas “desaparecer” para quem já encontrou seu trabalho;


12. Estar presente com a criança que terminar seu trabalho e exauriu livremente seu esforço pessoal, e a ela oferecer, no silêncio, sua força interior como oferta espiritual.


(Tradução do texto italiano Perugia – Itália )



Parece difícil ?

Não ... não é !

Basta compreender o quanto especial é a sua vida.

Assim, você deve apenas ser gente.

E querer ajudar gente a ser gente.

40 anos sem Che Guevara


Fez no dia 9 de Outubro 40 anos desde que Che Guevara foi assassinado na Bolívia, onde comandava um grupo de guerrilheiros. Quatro décadas depois, Che continua a ser uma figura marcante da esquerda latino-americana e um símbolo da resistência ao neo-liberalismo em todo o mundo.



A Revista "Aventuras na História" publicou uma curiosa relação das "coincidências no destino dos principais envolvidos na morte do líder guerrilheiro". Esses acontecimentos "criaram na Bolívia o mito da "maldição de Che". Seria como se o fantasma de Guevara voltasse para se vingar de seus algozes!!!

Confira aqui quem sofreu a "maldição"!!!

·General René Barrientos Antuño, presidente da Bolívia na época e um dos que decidiram pela execução de Guevara:. morreu carbonizado num acidente de helicóptero em abril de 1969. As circunstâncias do ocorrido nunca fora completamente esclarecidas

·General Alfredo Ovando Candia, comandante-chefe das Forças Armadas da época: viu um filho morrer de câncer em outubro de 1970

·Major Andrés Selich, chefe dos rangers que capturaram Che e um dos últimos a falar com ele em La Higuera: morreu sob tortura em 1973, durante a ditadura do general boliviano Carlos Hugo Bánzer

·General Juan José Torres, chefe do Estado-Maior do Exército e um dos que decidiram a morte de Che: foi assassinado na Argentina em fevereiro de 1976, durante a 'guerra suja'

·Coronel Joaquín Zenteno Anaya, comandante da zona militar onde ocorreu o assassinato de Che: morreu vítima de um atentado fatal em Paris. Quem assumiu o assassinato foi a desconhecida "Brigada Internacional Che Guevara"

·Coronel Toto Quintanilla, um dos principais chefes da polícia política na Bolívia durante o governo Barrientos: após a execução de Guevara, preocupado com possíveis atentados, pediu para ir para a Alemanha, onde trabalhou como cônsul em Hamburgo. Foi assassinado em novembro de 1970, num atentado assumido pelo Exército de Libertação Nacional (ELN), grupo peruano revolucionário criado e dirigido por Hector Bejar e Juan Pablo Chang, este morto com Che na guerrilha

·General Gary Prado, prendeu Che Guevara: em 1981, foi baleado numa reunião de militares e ficou paraplégico.

·Honorato Rojas, o agricultor que havia delatado o grupo de Joaquin e preparado a emboscada em 31 de agosto (que acabou com a morte denove guerrilheiros): foi encontrado e executado em 14 de julho de 1969, pelo ELN.

Muito sinistro!!!